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sexta-feira, 29 maio, 2026

TCU investigará gastos milionários do PT com propaganda

O Tribunal de Contas da União (TCU) aceitou a representação apresentada pelo deputado federal Sanderson (PL-RS) para instaurar uma Tomada de Contas Especial destinada a investigar possíveis irregularidades no uso de recursos do Fundo Partidário pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

O processo tramita sob o número 011.807/2026-1, tem relatoria do ministro Benjamin Zymler e acompanhamento do Ministério Público junto ao TCU pela procuradora Cristina Machado.

Na representação, Sanderson sustenta que há “indícios de desvio de finalidade, promoção político-eleitoral antecipada e utilização de verbas públicas partidárias para financiamento de operação massiva de comunicação política digital em contexto pré-eleitoral”.

De acordo com os dados citados na representação, entre os dias 13 e 20 de maio de 2026 o partido teria gasto R$ 514 mil em anúncios patrocinados no Facebook, com concentração dos investimentos em São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais do país.

Em um recorte mais amplo, considerando os 30 dias anteriores, as despesas do PT com publicidade digital ligada a temas políticos, eleitorais e sociais teriam alcançado aproximadamente R$ 1,4 milhão; valor que, segundo o documento, supera de forma expressiva os gastos registrados por outras siglas no mesmo ambiente digital.

Segundo o parlamentar, o pedido foi motivado por reportagens que apontaram um aumento expressivo dos gastos do PT com impulsionamento de conteúdo político em redes sociais após a divulgação de áudio envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

No documento encaminhado ao TCU, o deputado argumenta que os recursos do Fundo Partidário possuem natureza pública e, por isso, devem obedecer aos princípios constitucionais da legalidade, moralidade, impessoalidade e finalidade administrativa.

“Ainda que transferidos às agremiações partidárias, tais recursos não perdem sua essência pública nem se convertem em patrimônio privado de livre disposição partidária”, afirma a representação.

Sanderson também sustenta que os gastos podem ter ultrapassado os limites da comunicação partidária regular, configurando eventual estratégia de “campanha eleitoral permanente” voltada à sucessão presidencial de 2026. Veja aqui o documento na íntegra.

Segundo o parlamentar, os elementos analisados sugerem uma estrutura de comunicação digital destinada a explorar desgaste político de adversários, ampliar a visibilidade do presidente da República e associar o governo a pautas de combate à corrupção e defesa institucional.

A representação ainda destaca preocupação com o uso de plataformas digitais e mecanismos de segmentação algorítmica para direcionamento político de conteúdo patrocinado em período pré-eleitoral.

Entre os pedidos feitos ao TCU estão a identificação da origem dos recursos utilizados nas campanhas digitais, a verificação de eventual uso de verbas do Fundo Partidário, a análise da compatibilidade dos gastos com a legislação eleitoral e partidária e a requisição de informações às plataformas responsáveis pelos anúncios.

O deputado também solicitou que, caso sejam constatadas irregularidades, haja responsabilização dos gestores partidários envolvidos, aplicação de sanções e eventual ressarcimento ao erário.

Além disso, Sanderson pediu o envio de cópias do processo ao Ministério Público Eleitoral e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para apuração de possíveis ilícitos eleitorais e abuso de poder político e econômico.

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