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segunda-feira, 1 junho, 2026

Álcool ou drogas estão em 53% das mortes violentas, diz USP

Estudo feito na Universidade de São Paulo (USP) constatou que mais da metade (53%) das vítimas de mortes violentas ocorridas em quatro capitais brasileiras apresentavam álcool ou drogas no organismo em análises feitas logo após o óbito. Foram avaliados 3.577 casos em Belém, Recife, Vitória e Curitiba, representando, respectivamente, as regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul. Os resultados foram divulgados na revista Toxics.

“O objetivo foi produzir dados padronizados e comparáveis sobre o papel de substâncias psicoativas em mortes por causas externas no Brasil”, conta o biomédico toxicologista Henrique Silva Bombana, pesquisador de pós-doutorado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo e primeiro autor do artigo.

As análises laboratoriais incluíram álcool, um conjunto de drogas ilícitas e medicamentos psicoativos, com protocolos padronizados. A equipe também adotou cuidados operacionais para reduzir perdas por degradação. “Principalmente no caso do álcool, se a amostra não for armazenada de maneira adequada, a substância pode se degradar e mascarar o resultado”, explica o pesquisador.

Bombana conta que o estudo foi viabilizado a partir de um convênio firmado em 2020 entre a USP e a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad) para fazer o mapeamento da relação entre uso de álcool e drogas e mortes violentas. As quatro capitais foram escolhidas pela combinação de dois critérios: magnitude do problema e relevância estratégica.

“Essas cidades foram selecionadas com base na taxa de mortalidade por causas externas e por serem pontos estratégicos da rota de tráfico de droga”, explica o pesquisador. A escolha levou em conta também o papel do país como corredor de circulação internacional: “Muitas vezes a droga vem de outros países e passa pelo Brasil para ser distribuída para os Estados Unidos, Europa, África”.

A coleta ocorreu entre 2022 e meados de 2024. “Montamos e treinamos equipes de quatro pesquisadores em cada uma dessas cidades para colher amostras de sangue durante necrópsias. Esse material era congelado e enviado para o nosso laboratório na USP, onde tínhamos uma equipe de cinco pesquisadores para fazer as análises”, explica Bombana.

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