Uma pesquisa desenvolvida na Faculdade de Medicina de Jundiaí identificou que o estado nutricional e a saúde bucal estão diretamente associados à fragilidade em pessoas idosas atendidas na Atenção Primária à Saúde. Os resultados do estudo contribuíram para a criação e fortalecimento de programas municipais voltados ao envelhecimento saudável em Jundiaí.
A pesquisa foi conduzida pela nutricionista e pesquisadora de mestrado, Clemorar Ana de Souza Valentim, sob orientação da professora Marília Jesus Batista da Mota, ambas da Faculdade de Medicina de Jundiaí.
O estudo avaliou 211 idosos selecionados aleatoriamente em cinco unidades básicas de saúde do município. Os participantes responderam a questionários e passaram por avaliações relacionadas à saúde bucal, estado nutricional, condições clínicas, cognição, sarcopenia e fragilidade.
Os resultados mostraram que 24,6% dos participantes eram considerados frágeis, enquanto 37,9% estavam em condição de pré-fragilidade. Entre os fatores associados ao aumento da fragilidade destacaram-se baixo peso, obesidade, risco de desnutrição, uso de quatro ou mais medicamentos e sentimentos frequentes de tristeza, desânimo ou desesperança. Por outro lado, idosos que apresentavam boa capacidade de mastigação e praticavam atividade física regularmente tiveram menor probabilidade de desenvolver fragilidade.
Segundo a pesquisadora Clemorar Ana de Souza Valentim, os resultados reforçam a importância de um olhar integral para a saúde da pessoa idosa. “A fragilidade não é consequência natural do envelhecimento. Nosso estudo demonstra que fatores como alimentação adequada, saúde bucal e atividade física podem fazer grande diferença na manutenção da autonomia e da qualidade de vida dos idosos. Investir em prevenção significa promover um envelhecimento mais saudável e ativo”, destaca.
Para a orientadora da pesquisa, Marília Jesus Batista da Mota, os dados evidenciam a necessidade de ações multidisciplinares e integradas. “Os resultados mostram que a saúde da pessoa idosa depende da atuação conjunta de diferentes áreas. Nutrição, odontologia, medicina, atividade física e apoio emocional precisam caminhar juntos para prevenir a fragilidade e garantir mais qualidade de vida à população idosa”, afirma.
Os achados serviram de base para iniciativas desenvolvidas pela Prefeitura de Jundiaí, incluindo programas de promoção da saúde bucal, educação alimentar, ampliação das orientações nutricionais e atividades preventivas voltadas ao envelhecimento saudável.
De acordo com os pesquisadores, a fragilidade é uma condição que exige atenção ao longo de toda a vida e deve ser enfrentada por meio de políticas públicas que fortaleçam o cuidado integral à pessoa idosa.
O estudo foi publicado na Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia e reforça a importância da produção científica da FMJ na geração de conhecimento capaz de impactar diretamente a saúde da população.




