Aos poucos, ex-funcionários da Editora Panorama/Casa de Redação e do Jornal de Jundiaí estão mostrando as mazelas por quais passaram – e ainda passam – devido aos não pagamentos ordenados pela Justiça do Trabalho. Eles ganharam a causa, mas ainda não viram a cor do dinheiro.
O caso mais duradouro é o da Editora Panorama/Casa de Redação, que editava o Jornal da Cidade. E ainda edita, embora ilegalmente, uma vez que a marca Jornal da Cidade é de propriedade do Grupo Novo Dia, registrada no INPI sob número 915859211. Ou seja, como a marca estava disponível no mercado, o GND a registrou, e passou a ser seu proprietário.
As demandas contra o antigo Jornal da Cidade já duram 21 anos. As contra o Jornal de Jundiaí, dez anos. Nesse tempo, ex-funcionários passaram por dificuldades – alguns ainda passam. A Justiça do Trabalho leiloou alguns bens indicados, como um terreno no Caxambu, mas não houve interessados. A própria marca JJ já foi a leilão – sem interessados.
Marco Antonio Sapia, um dos ex-funcionários prejudicados, hoje edita o portal Jundiaí Agora, conta parte da história: “Há quase 10 anos dei entrada numa ação trabalhista contra o Jornal de Jundiaí(JJ), onde entre idas e vindas, atuei como jornalista por 30 anos. E desde então só faço esperar, assim como dezenas e dezenas de ex-colegas que estão com seus processos sem um final feliz. Hoje, aos 59 anos, percebo que me preocupei demais com a empresa, da qual sempre ‘vesti a camisa’, como mandavam os patrões. Penso que a maioria dos que ali trabalharam fez o mesmo não por causa do mantra que era repetido lá no topo da hierarquia. Vestíamos a camisa por causa dos colegas, do ambiente, da atmosfera, da atividade em si, do cheiro do papel e da tinta rodando na máquina monstruosa. Fazer jornal é uma delícia. Ou era. Agora, com sérios problemas de saúde, vejo que a recíproca não foi verdadeira. Em todas as funções que ocupei dentro do Grupo JJ fui correto, um bom profissional, com credibilidade, coisa fundamental para qualquer jornalista e para a empresa para qual ele trabalha. Mas, o que vivi quando cheguei ao ponto máximo da carreira – ser editor-chefe – foi humilhante. Este é o mesmo sentimento que tenho em relação à ação que reivindica todos os meus direitos que ainda não foram pagos. O processo tem o número 0010518-20.2017.5.15.0096 e corre pela 3ª Vara do Trabalho de Jundiaí”.
O repórter fotográfico José Aparecido dos Santos, o Zezinho, está com essa pendência há 21 anos. Ex-funcionário do antigo Jornal da Cidade, foi à Justiça do Trabalho por falta de pagamento, ganhou a causa, mas não recebeu seu dinheiro. ““Trabalhei no JC de 1996 a 2013 e nunca tiveram meus depósitos de FGTS feitos. A frustração foi imensa ao descobrir que simplesmente não teria meus direitos garantidos”, afirma Zezinho.
Essa situação está ganhando repercussão nacional. O jornalista Heródoto Barbeiro, um dos mais respeitados do país, expôs o drama dos ex-funcionários e a morosidade da Justiça do Trabalho. Barbeiro é comentarista da Record News, do Portal R7 e da Nova Brasil FM. Ele foi o primeiro transmídia da TV brasileira. Jornalista pela Cásper Líbero, também é historiador, advogado e professor universitário. Tem mais de 50 livros publicados, alguns deles utilizados como referência básica no curso de jornalismo. Já foi âncora do Jornal da CBN, do Roda Viva, da TV Cultura e professor da USP. É palestrante e ministra mídia training. O artigo pode ser visto no Facebook, X(antigo Twitter) e no canal Por Dentro da Máquina, todos de Barbeiro.
Um encontro está marcado para hoje, terça-feira, no Centro. Representantes do Sindicato dos Jornalistas poderão estar na cidade para estudar novas providências. O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) afirmou em nota que ” “o TRT-15 não se pronuncia sobre processos judiciais em andamento”.





