O Brasil encerrou o primeiro semestre de 2026 com 6.341 empresas em recuperação judicial ativa, segundo dados do Monitor RGF-BizDoc, elaborado a partir de informações da Receita Federal e dos tribunais de Justiça. O estoque representa uma alta de 6,2% em relação ao fim de 2025, mantendo o número de companhias em processo de reestruturação em patamar elevado. O levantamento também aponta uma mudança importante no perfil das empresas que recorrem à recuperação judicial.
Embora as grandes companhias continuem tendo participação relevante nos processos, foram os negócios de menor porte que registraram os maiores avanços desde 2023.Entre o primeiro trimestre de 2023 e o segundo trimestre de 2026, o número de microempresas em recuperação judicial aumentou 133%. Entre as pequenas empresas, o crescimento foi de 69%, enquanto as médias registraram alta de 31% no mesmo período.
A participação das microempresas também aumentou proporcionalmente. O indicador passou de 0,03 para 0,07 empresa em recuperação judicial a cada mil negócios. No segmento das pequenas empresas, a proporção subiu de 0,52 para 0,87 companhia a cada mil.
O comércio concentra atualmente a maior quantidade de empresas em recuperação judicial. Ao final do segundo trimestre, eram 1.649 companhias do setor nessa situação. A indústria aparecia em seguida, com 1.455 empresas, enquanto o agronegócio reunia 1.263.
Apesar de não concentrar o maior estoque, o agronegócio apresentou o maior número de novos casos durante o segundo trimestre, com 111 empresas entrando em recuperação judicial no período.
A recuperação judicial é utilizada por empresas que enfrentam dificuldades financeiras para tentar reorganizar suas dívidas e preservar suas atividades. O processo permite a negociação com credores dentro de um plano submetido às regras judiciais, buscando evitar a falência quando existe possibilidade de continuidade do negócio.
O cenário observado no primeiro semestre ocorre em meio a condições financeiras mais restritivas. O levantamento aponta que o custo elevado do crédito e os juros altos aumentam a pressão sobre empresas que já possuem dívidas.
A situação, porém, não é atribuída a um único fator, além das condições de financiamento, empresas podem chegar a esse estágio por diferentes razões, como elevado endividamento, redução das margens de lucro, despesas acima da capacidade de geração de caixa e expansão das operações financiada principalmente por dívida.





