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sexta-feira, 4 setembro, 2026

Casas Bahia, Assaí e Dia estão entre favorecidos da Máfia do ICMS

Operação do Ministério Público de São Paulo deflagrada na manhã de ontem (3) revelou novos beneficiários da “Máfia do ICMS”, organização criminosa que concedia créditos fiscais em troca de propina.

O maior beneficiário da propina seria o advogado João André Buttini de Moraes, preso preventivamente ontem. Ele teria sido contratado por grupos que gerenciam grandes empresas varejistas, como Casas Bahia, Assaí, Dia e Ipiranga.

O ex-chefe da Diretoria Executiva da Administração Tributária (Deat) André Weiss, então número três da Secretaria da Fazenda de São Paulo, também teve a prisão temporária autorizada pela Justiça.

A investigação aponta que as empresas eram beneficiadas com a liberação fraudulenta, agilização ou centralização de grandes valores de ressarcimentos de ICMS-ST (Substituição Tributária) e créditos acumulados de ICMS.

A ação é um desdobramento da Operação Ícaro, que resultou na prisão preventiva de executivos de grandes empresas, como a Ultrafarma e a Fastshop, e desarticulou esquema de fraude tributária arquitetado pelo ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto.

Beneficiados pelo esquema

Sendas/Assaí: teve ressarcimentos sob suspeita de R$ 800 milhões conduzidos pelo grupo, com repasses identificados de R$ 52.9 milhões para as contas do grupo Buttini

VIA S.A./Grupo Casas Bahia: apontada como um dos maiores beneficiários do esquema, tendo realizado pagamentos milionários ao escritório operador de Buttini (incluindo R$ 27,6 apenas em 2023)

Supermercado Dia: beneficiado pela liberação de dois processos de ressarcimento que somavam R$ 97,7 milhões mediante divisão de propina mapeada em planilhas apreendidas

Ipiranga: investigada por supostos ressarcimentos tributários e créditos acumulados de ICMS irregulares junto à Sefaz-SP mediante o pagamento de vantagens indevidas aos agentes públicos envolvidos

Metrópole Distribuidora de Bebidas: apontada na investigação como uma das principais varejistas clientes do escritório Buttini de Moraes beneficiadas pelo esquema de facilitação e liberação célere de ressarcimentos de ICMS-ST na Sefaz-SP

Sony Mobile Communications do Brasil Ltda: teve procedimentos que renderam R$ 13,6 milhões e um suposto alinhamento para reduzir sanções em Autos de Infração e Imposição de Multa é investigado

Rumo: envolvida na liberação e transferência de créditos acumulados de ICMS sob investigação, com indícios de cobrança de propina para liberação

Plasfan Indústria e Comércio de Plásticos Ltda: beneficiada por um esquema de emissão de notas fiscais frias geradoras de créditos inidôneos

Fast Shop: contratou serviços de “assessoria tributária” da empresa Smart Tax Consultoria Tributária fundada pelo próprio auditor fiscal Artur Gomes em conjunto com sua mãe

Carrefour: beneficiado pelo esquema por meio de facilitação na liberação de recursos e blindagem contra fiscalizações da Secretaria da Fazenda

Roldão: beneficiado de um esquema de liberação irregular de créditos tributários e de subsequente proteção contra auditorias da Secretaria da Fazenda

Empresas citadas

Outras empresas são citadas pela investigação. A Comgás, Cosan, Olam, Pão de Açúcar/Novasoc e postos da ACL tiveram transferências de créditos de ICMS analisadas pela investigação, que transitaram de forma dirigida pela estrutura de aprovação rápida (fast-track). As empresas foram classificadas como passíveis de cruzamento individualizado para identificar possíveis fraudes nos valores.

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