A persistência do hábito de ignorar o uso do cinto de segurança segue cobrando um preço alto nas rodovias brasileiras. Levantamento realizado pela Arteris aponta que, das 106 mortes registradas em acidentes ocorridos nas rodovias sob sua gestão entre janeiro e julho de 2026, envolvendo veículos de passeio, caminhões, ônibus e utilitários, 43% estavam associadas à ausência do cinto de segurança por motoristas e passageiros. O levantamento considera exclusivamente veículos cuja utilização do dispositivo é obrigatória, não incluindo, portanto, ocorrências envolvendo motocicletas e bicicletas.
Esses óbitos saltaram de 34 para 46 casos no comparativo dos primeiros sete meses de 2025 com 2026. No mesmo período, o volume geral de acidentes nas rodovias administradas pela Arteris, considerando o mesmo recorte de veículos analisados, passou de 11.008 para 11.385.
Veículos de passeio ocupam lugar central na estatística, com alta de 46% nas fatalidades associadas à ausência do dispositivo, passando de 24 casos no ano passado para 35 em 2026. O volume de vítimas que ocupavam o banco do motorista cresceu 37%, de 16 para 22. Também houve aumento de mortes entre ocupantes do assento dianteiro de passageiros, com alta de 43%, e dos bancos traseiros, passando de uma para três mortes.
O levantamento alerta para a mudança no perfil das vítimas. Embora os homens ainda representem a maioria dos óbitos associados à infração, com 33 registros e crescimento de 14% no período analisado, entre as mulheres o avanço foi ainda mais expressivo: os casos saltaram 140%, passando de cinco para 12 ocorrências. Em um dos casos, não foi possível identificar o gênero da vítima.
Entre os veículos de carga, as fatalidades relacionadas à falta de cinto subiram 10%, de 10 para 11 registros, com queda de 20% nas mortes de condutores, de 10 para oito casos, mas aumento entre passageiros, que passaram de nenhum registro para três ocorrências. Não houve registro de óbitos associados à ausência do cinto em ônibus.
Estudos da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego) indicam que o uso do cinto reduz em até 60% o risco de morte no banco dianteiro e em até 44% no traseiro. A retenção física do corpo pelo equipamento impede o choque contra a estrutura do veículo ou o arremesso para fora da pista, contribuindo para a absorção e a distribuição da força do impacto.





