publicidadespot_img
19.8 C
Jundiaí
sexta-feira, 30 outubro, 2026

Psoríase pode afetar as articulações; dor e rigidez exigem atenção

Dor nas articulações, inchaço e rigidez ao acordar podem indicar algo além de um desconforto passageiro, especialmente em pessoas com psoríase. A doença inflamatória crônica, conhecida pelas manifestações na pele, também pode estar associada à artrite psoriásica, uma doença reumática que afeta as articulações e pode comprometer tendões e outras estruturas. Reconhecer os sintomas é importante para evitar atrasos no diagnóstico e reduzir o risco de danos articulares.
Segundo o Consenso Brasileiro de Psoríase 2024, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a artrite psoriásica pode atingir até 44% das pessoas com psoríase. Ela integra o grupo de mais de 120 doenças reumáticas que, conforme estimativa divulgada pela Sociedade Brasileira de Reumatologia em 2023, acometem mais de 15 milhões de brasileiros. O tema ganha destaque em duas datas consecutivas: 29 de outubro, Dia Nacional e Mundial da Psoríase, e 30 de outubro, Dia Nacional de Luta do Paciente Reumático.
Embora as lesões na pele, como placas avermelhadas e descamativas, geralmente apareçam primeiro, os sintomas articulares podem antecedê-las. Alterações nas unhas também podem fazer parte do quadro. Além das articulações, a inflamação pode atingir as enteses, regiões onde tendões e ligamentos se inserem nos ossos. Nem todas as pessoas com psoríase desenvolverão artrite psoriásica, mas o histórico familiar e a presença de sintomas articulares merecem atenção.
“Não devemos descartar a possibilidade de artrite psoriásica apenas porque a pessoa ainda não apresenta lesões visíveis na pele, principalmente quando há histórico familiar. Por isso, sintomas articulares sugestivos precisam ser investigados”, explica a reumatologista do Vera Cruz Hospital, Letícia Kolachinski Brandão.
Além de dor, inchaço e rigidez ao acordar, a artrite psoriásica pode provocar dificuldade para movimentar as mãos, os pés e outras regiões do corpo. A inflamação também pode causar dor nos calcanhares e em outras áreas de inserção dos tendões. Em alguns casos, ocorre a dactilite, caracterizada pelo inchaço de um dedo inteiro da mão ou do pé. A dor lombar também pode estar presente.
Como esses sintomas podem ter diferentes causas, o diagnóstico depende da avaliação clínica. “O diagnóstico considera os sintomas, o histórico pessoal e familiar, o exame físico e, quando necessário, exames laboratoriais e de imagem. Não existe um único exame capaz de confirmar ou descartar todos os casos. O reumatologista precisa reunir essas informações para compreender o quadro de cada paciente”, detalha a médica.
A investigação precoce é importante porque a inflamação persistente pode causar danos nas articulações, reduzir a mobilidade e comprometer a capacidade funcional. “A avaliação conjunta das manifestações na pele e nas articulações ajuda a compreender o quadro e a orientar o tratamento. O acompanhamento regular também permite avaliar a atividade da doença, verificar a resposta à terapia e fazer os ajustes necessários”, afirma Letícia.
O tratamento é individualizado e pode incluir medicamentos para controlar a dor e a inflamação, além de terapias imunomoduladoras e biológicas, conforme a indicação médica. A prática supervisionada de exercícios físicos, o controle do peso quando indicado e a interrupção do tabagismo também podem contribuir para o cuidado. “Embora não exista cura definitiva, o tratamento adequado pode controlar a inflamação, reduzir os sintomas e ajudar a preservar a capacidade funcional e a qualidade de vida”, afirma a reumatologista.
Pessoas com psoríase que apresentem dores articulares persistentes ou recorrentes, inchaço, rigidez ao acordar ou dificuldade de movimentação devem procurar avaliação com um reumatologista. O acompanhamento dermatológico também é importante para o controle das manifestações na pele.

SUGESTÃO DE PAUTAS

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

PUBLICIDADEspot_img
publicidadespot_img
publicidadespot_img

Deixe uma resposta