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quarta-feira, 28 outubro, 2026

Automedicação cresce no inverno, e olhos são maiores vítimas

Combinações perigosas de colírios com outros remédios crescem 20% no frio. Melhor conhecer os riscos

Estimativa da OMS (Organização Mundial da Saúde) é de que o inverno triplica as doenças respiratórias como gripe, resfriado, rinite, sinusite e bronquite. Isso somado à falta de informação, à comercialização de remédios sem receita e à precariedade dos serviços públicos de saúde faz com que a automedicação seja praticada por 3 em cada 4 brasileiros. É o que mostra um estudo realizado pelo ICTQ (Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade).
Levantamento realizado pelo oftalmologista Leôncio Queiroz Neto do Instituto Penido Burnier nos prontuários do hospital, mostra que a combinação perigosa de colírios com outros medicamentos cresce 20% nesa época do ano.
O médico afirma que um dos maiores perigos é o uso por mais de seis meses de corticóide para combater inflamações persistentes nas vias respiratórias. O medicamento pode causar glaucoma, catarata, hipertensão arterial e ganho de peso. Quando usado na forma de colírio tem efeitos colaterais mais rápidos. A dica para reduzir um pouco o estrago é beber bastante água, mas nunca usar este tipo de remédio sem acompanhamento médico.
Uma combinação arriscada é o uso de descongestionante nasal com colírio antiglaucomatoso. “O alívio é imediato, mas o descongestionante corta o efeito do colírio”, adverte. Por isso, o mais indicado é o uso de soro fisiológico para desentupir o nariz. Os riscos não param por aí. Isso porque, explica, descongestionantes têm ação vasoconstritora. Significa que estreitam todos os vasos do corpo. Depois do quinto dia de uso predispõem à hipertensão arterial, doença cardíaca, bem como ao glaucoma em quem tem predisposição.
O oftalmologista afirma que outro remédio perigoso para quem tem glaucoma é o inibidor de apetite. O risco está relacionado à dilatação da pupila que reduz o espaço da câmara anterior dos olhos, podendo causar aumento a pressão intraocular, fator de risco do glaucoma, maior causa de cegueira definitiva relacionada a danos no nervo óptico.
Quem faz tratamento de bronquite ou asma com bronco-dilatador deve avisar o oftalmologista. “A interação do medicamento com colírio betabloqueador pode causar falta de ar”, adverte. Queiroz Neto ressalta que não é só a queda da temperatura que aumenta a síndrome do olho seco no inverno. O uso de analgésico e antitérmico para combater gripe ou resfriado, de anti-histamínico para alergia e até da pílula anticoncepcional cortam o efeito da lágrima artificial.

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