Saída da Inglaterra da União Européia dão ânimo ao Nordeste e Rio Grande do Sul. Lançados o Sampadeus e o Nordexit
Não é de hoje que existem movimentos separatistas no Brasil. Os gaúchos, por exemplo, não fazem muita questão de esconder suas preferências de andarem sozinhos sem depender dos demais estados. Paulistas são mais comedidos, mas também há muita gente querendo que São Paulo seja um país independente.
No fim do mês, quando um plebiscito na Inglaterra escolheu a saída do país da União Européia, mais gente se animou. Não só aqui – escoceses e catalães estão batendo o pé por sua independência total. Por aqui, numa alusão ao Brexit (britain + exit), foram lançados o Nordexit e o Sampadeus.
Encabeçada pelo Movimento São Paulo Livre, que tem forte presença em redes sociais, a campanha da independência paulista surgiu há dois anos. Segundo seus organizadores, o movimento conta com dez mil apoiadores. O Sampadeus quer fazer plebiscito consultivo em diversas cidades do Estado em outubro, apresentando a proposta e buscando apoio para o movimento.
“A consulta deve servir de termômetro para vermos qual a porcentagem da população paulista que quer efetivamente a independência”, afirma o presidente do Movimento São Paulo Livre, o microempresário Flavio Rebello. Ele enxerga semelhanças entre a consulta popular realizada na Inglaterra e o que poderia ocorrer em São Paulo caso a proposta de seu grupo ganhe maior apoio.
A proposta de transformar o Estado de São Paulo em território independente se baseia nas idéias de que o território paulista teve uma história colonial e de desenvolvimento econômico diferente do restante do Brasil. Segundo Rebello, São Paulo também é injustiçado na condição de unidade federativa pois arrecada muitos impostos para o governo federal e recebe poucos investimentos em troca.
“Não temos nada contra o Brasil. Quando houver a independência, eles serão nossos irmãos do norte”, afirma o presidente do MSPL. “São Paulo tem um litoral grande, um porto moderno e um parque industrial diversificado. O destino econômico de São Paulo seria virar uma Coréia do Sul”, afirma.
Um dos primeiros e mais barulhentos movimentos separatistas do Brasil (no período pós-Constituição de 1988) surgiu no Rio Grande do Sul, em 1990. O Movimento Pela Independência do Pampa, que reclama a existência da República Rio-Grandense, chegou a elaborar abaixo-assinado com um milhão de assinaturas em 1993 – conforme informa a própria organização em seu site. O documento visava convocar um plebiscito para decidir sobre a independência gaúcha, mas o grupo entrou na mira da Justiça brasileira e o abaixo-assinado não vingou.
Na outra extremidade do Brasil, o Movimento Nordeste Livre levanta a bandeira de construir a autodeterminação do povo nordestino, o que estaria garantido pela Constituição brasileira na leitura feita pelos integrantes da organização. O grupo defende a convocação de um referendo plebiscitário”para uma nova divisão administrativa, política e territorial para a região Nordeste.





