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sexta-feira, 23 outubro, 2026

Livro para colorir faz venda de lápis de cor aumentar

Dessa vez os passatempos do Facebook perderam para o tradicional – livros para colorir são mania
O Candy Crush, de longe o mais jogado no Facebook, não é páreo para a nova mania entre jovens e adultos, os livros para colorir. Parecia não haver limites no Candy – mas há, são 530 fases. E há programadores desenvolvendo outras etapas, para não perder jogadores. Tudo para conter a onda de colorir livros. Resultado: não há lápis de cor suficientes no mercado.
Lápis de cor era lembrado só quando vinha a lista de material escolar. Fábricas e papelarias se prepararam pra isso. Erraram feio. A Faber Castell, maior fabricante de lápis no Brasil, teve suas vendas multiplicadas por cinco no mês passado. Grandes redes de varejo já comparam o lápis de cor ao tomate, numa alusão à falta do vegetal no começo de 2013, que fez seu preço disparar.
A Faber trabalhava em dois turnos. Já criou o terceiro, e não está dando conta. Logicamente que, com tanta procura, o preço aumentou. Não há mais os estojos da linha premium, com lápis de 60 ou 120 cores, que não custam barato – R$ 472 e 945 respectivamente. Problema: esses lápis são fabricados na Alemanha. A filial brasileira tratou de encomendar mais.
Um dos livros para colorir, o Jardim Secreto, já vendeu mais de 300 mil exemplares (é bom saber que basta vender mais de 30 mil para ser considerado best seller). O Jardim Secreto foi lançado em novembro do ano passado e traz ilustrações minuciosas de plantas, árvores e animais.
Com tanto sucesso, outras editoras trataram de produzir livros do tipo, antes que a mania se esgote. No mês passado, foram lançados 70 títulos – dentre eles um daqueles, especifico para o público adulto. A consultoria Nielsen, que acompanha tudo isso, afirma que Jardim Secreto tirou o primeiro lugar do livro Filia, do padre Marcelo Rossi.
O negócio é bom. A Saraiva, responsável pela maior fatia do mercado livreiro, teve aumento de 260% nas vendas, algo bem atípico para essa época. A Kalunga, que é maior varejista de papelaria, teve aumento de 135% nas vendas de lápis de cor – e junto vende também borrachas, canetas hidrográficas e apontadores de lápis.
Todo mundo sabe que um dia essa mania vai acabar. Mas antes que acabe, aproveitam para ganhar dinheiro. O diretor da Saraiva Leandro Cançado tem previsão bem otimista – como as editoras estão lançando mais títulos, acredita que o mercado vai continuar aquecido. Outros especialistas da área pensam o contrário.
Acreditam que a febre já atingiu seu ápice, e que a tendência agora é diminuir de tamanho, até desaparecer. Levam em conta ainda que o Facebook não vai deixar essa história por aí – perder audiência justamente para coisa de criança? Para livro de colorir? Pois é, perdeu.
Foto: Livro vendeu 300 mil exemplares em pouco tempo | DIVULGAÇÃO

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