Engana-se quem pensa que violência doméstica e/ou abusiva ocorre somente do homem para a mulher. Essa história prova que as agressões podem vir de ambos os lados quando falta respeito.
Alex Skeel, 22 anos, sentiu na pele esse tipo de relação, literalmente. O jovem recebeu água fervendo após discussão com a namorada Jordan, na casa onde viviam em Bedfordshire, na Inglaterra.
A história de Jordan e Alex se arrastou por três anos. Começou com pequenos gestos, com ela dizendo que não gostava quando ele usava a cor cinza ou de determinado penteado. E assim, o que era para ser uma relação, se transformou em uma campanha de nove meses de abuso físico. Alex confessa que sentia muito medo da namorada.
Esse não é um caso isolado. Os dados mais recentes do Crime Survey para Inglaterra e País de Gales mostram que, no ano que terminou em março de 2018, cerca de 2 milhões de adultos com idades entre 16 e 59 anos sofreram abusos domésticos no último ano – deste total, cerca de um terço é composto por homens.
Estima-se também que um em cada cinco adolescentes tenha sido fisicamente abusado pela namorada ou namorado. E isso está acontecendo com os homens muito mais do que a maioria das pessoas imagina.
A polícia na Inglaterra e no País de Gales registrou quase 150 mil incidentes de abuso doméstico contra homens em 2017 – mais do que o dobro do número registrado em 2012. De acordo com uma instituição de assistência social, menos de 1% dos leitos de abrigos para abuso doméstico na Inglaterra é destinado a homens, sendo nenhum em Londres.
Alex admite ter ouvido falar de abuso doméstico masculino antes de conhecer Jordan. Assim como ela sabia o que estava fazendo, que era muito ruim, mas não sabia o que fazer. Durante tudo isso, Alex nunca foi capaz de pensar em uma acusação, porque não fazia a menor ideia.
O jovem confessa nunca ter corrido para sair dessa situação, por mais estranho que pareça e acredita que, na época, não havia como escapar. O casal teve dois filhos e a única expectativa era para que aquilo tudo passasse. “Se ela me batia menos, era um dia ótimo. Simples assim”, revela.
Jordan foi condenada a sete anos e meio de prisão em abril de 2018. Ela admitiu ter comportamento coercivo ou controlador em um relacionamento íntimo, ferindo com intenção e causando sérios danos corporais.
As crianças não sabem o que está acontecendo. Alex guarda informações e documentos judiciais para elas leiam quando forem mais velhas e estiverem maduras.
Jordan foi a primeira mulher no Reino Unido a ser presa por comportamento coercivo e controlador. Isso mostra que a questão está sendo levada a sério. Há muito estigma que impede os homens de se manifestarem e muitas vezes a polícia não leva a sério a violência contra o sexo masculino. Os homens são frequentemente deixados de fora das campanhas de abuso doméstico.





