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segunda-feira, 7 setembro, 2026

Lava Jato volta a prender Eike Batista

A Polícia Federal prendeu novamente, na manhã desta quinta-feira (8), o empresário Eike Batista. É a segunda vez que o dono da EBX vai para a cadeia.

Eike estava em casa, no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde há cerca de dois anos e meio cumpria prisão domiciliar. O empresário chegou à sede da PF, na Praça Mauá, às 10h25.

Batizada de Segredo de Midas, a operação desta quinta levou em conta delações de seis pessoas. Uma delas é o banqueiro Eduardo Plass, que já foi preso Lava Jato.

Informações privilegiadas alimentavam a propina

Segundo as investigações, Eike e seu sócio, Luiz Arthur Andrade Correia, o Zartha, diretor de investimentos da EBX, recebiam informações privilegiadas e investiam no mercado financeiro sem que seus nomes aparecessem.

Os ganhos desses investimentos, feitos por meio da empresa “The Adviser Investiments”, segundo o colaborador Eduardo Plass, eram revertidos em propinas para o então governador Sérgio Cabral.

Os investidores calculam US$ 16,5 milhões em propina (R$ 65 milhões) para que o então governador favorecesse os “interesses privados das empresas do Grupo X no Estado do Rio de Janeiro.

A defesa de Eike Batista informou, em nota, que apresentará recurso. O advogado Fernando Martins explicou que a prisão temporária foi decretada com o fundamento de que fosse ouvido em sede policial sobre fatos supostamente ocorridos em 2013.

“Certamente essa nova ordem de prisão, assim como a anterior, carece de amparo legal”, afirma.

Os mandados da Operação Segredo de Midas

O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do RJ, expediu para esta fase da Lava Jato dois mandados de prisão:

1- Eike Furkhen Batista, prisão temporária, já cumprida;
2- Luiz Arthur Andrade Correia, o Zartha, diretor de investimentos do grupo

EBX; prisão preventiva. Ele está no exterior.

Há ainda quatro mandados de busca e apreensão, em desfavor do próprio Eike, dos filhos Thor e Olin e de José Gustavo de Souza Costa.

Depoimento em CPI

Eike foi nesta terça-feira (6) prestar depoimento na comissão parlamentar de inquérito da Câmara (CPI) que investiga denúncias contra o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Na ocasião, ele negou irregularidades em empréstimos contraídos com o banco.

Ainda no depoimento à CPI, Eike Batista foi questionado se fez doações com o objetivo de ter acesso a integrantes do governo. O empresário, então, respondeu que “acredita na democracia” e fez doações para todos os partidos.

“Eu estou no Brasil inteiro, em vários partidos. Eu fazia doações para partidos de oposição também. Existia uma filosofia, eu acredito na democracia, havia doações para todos e volta e meia eu doava mais para alguém que eu gostava mais”, disse.

Quem é Eduardo Plass

O banqueiro Eduardo Plass, um dos delatores que embasaram a Operação Segredo de Midas, foi preso há um ano pela força-tarefa da Lava Jato, suspeito de lavar dinheiro, para o ex-governador Sérgio Cabral.

O banqueiro teria lavado mais de US$ 22 milhões, o equivalente a R$ 90 milhões, da joalheria H. Stern, dinheiro de clientes que compravam sem nota fiscal. Cabral gastava parte do que recebia em propina em anéis e brincos.

Plass não ficou nem uma semana preso. Ele pagou fiança de R$ 90 milhões e deixou a prisão.

Eduardo Plass é ainda sócio majoritário do TAG Bank, no Panamá, e da gestora de recursos Opus, no Brasil.

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