A mudança de endereço da CEAGESP, hoje instalada na Vila Leopoldina, na Grande São Paulo, para o Novo Entreposto de São Paulo, projetado para ocupar o distrito de Perus em uma área de quatro milhões de metros quadrados; está cada vez mais próxima de se tornar realidade.
Embora em estágio bem adiantado, o projeto aguarda a aprovação do Estudo de Impacto de Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (Eia/Rima). Segundo o presidente do Nesp, Sérgio Benassi, as condições são mais do que favoráveis. “Nossa expectativa é iniciar as obras no primeiro trimestre de 2020 e concluir em, no máximo, 40 meses”, calcula.
Uma das principais metas do projeto é refinar os processos de gestão. “O Nesp é formado por um grupo de 357 empresários, todos distribuidores da Ceagesp. Eles respondem por metade da movimentação de mercadorias do entreposto e são os maiores interessados em dispôr de um sistema que revolucione o sistema de abastecimento”, garante.
Mas não é só isso que conta à favor do Nesp. Para reiterar a pertinência técnica, social, econômica e logística do NESP, Sérgio considera importante ressaltar os fundamentos básicos do projeto. Trata-se de um novo centro de abastecimento para a Região Metropolitana, a ser construído no distrito de Perus, onde serão criados 30 mil empregos diretos, numa das regiões de São Paulo com o menor índice atual de empregabilidade”, ressalta.
O novo entreposto terá espaço e estrutura para atender o movimento diário da comercialização de hortifrutigranjeiros, que, como se sabe, envolve a movimentação de aproximadamente 50 mil pessoas, dentre produtores, comerciantes, feirantes, pequenos e médios varejistas e visitantes.
“Essa demanda foi prevista na concepção do projeto e será atendida de modo bastante adequado. O NESP melhorará a eficiência logística e agilizará o frete, pois se localizará em ponto estratégico da malha de transportes, sendo servido pelas rodovias Anhanguera e Bandeirantes”, lembra.
Sérgio revela que o governo do Estado tem apresentado urgência na busca de uma solução mais rentável e eficiente para a Ceagesp. “Ao deixar a Vila Leopoldina os custos da movimentação de mercadorias deverão ser reduzidos, com impacto no preço final dos produtos. Além disso, número expressivo de caminhões será retirado da área urbana, com melhoria do trânsito e mitigação das emissões de poluentes”.
Além de pressa, o governo adotou o modelo de concessão para a iniciativa privada. Isso porque, embora a Ceagesp ocupe uma área avaliada em cerca de R$ 5 bilhões, ela vem acumulando prejuízos milionários e tem se tornado um fardo para a gestão pública.
Nos dois últimos anos, o resultado das operações registra um prejuízo de R$ 32,8 milhões. Segundo especialistas não há gestão alguma que possa mudar isso. O ideal mesmo é transferir para outro lugar. O processo de escolha de um novo espaço está na pauta do governo desde 2016.
De toda área do Nesp nas proximidades do anel viário, que interliga importantes rodovias do Estado, o empreendimento deve ocupar 1,6 milhão metros quadrados, sendo 751 mil metros quadrados de área construída. O projeto contempla nove pavilhões para o comércio de alimentos, com túneis que interligam esses pavilhões, além de uma área de estocagem de produtos no subsolo.
São 1,7 mil vagas exclusivas para carga e descarga, e consta no projeto um terminal ferroviário para ser construído mais para a frente. “Estudamos os cinco mais importantes centros de distribuição de alimentos na Espanha, Itália e França, e trouxemos o que melhor se encaixa à realidade brasileira”, diz Benassi.” No futuro, o espaço poderá abrigar até unidades de moagem e de armazenamento de cereais. “Temos muito espaço para isso”, afirma Benassi. Com essa estrutura, a estimativa é que passe pelo Nesp 4,6 milhões de toneladas e que gere negócios da ordem de R$ 11 bilhões, 40% a mais do que é vendido hoje na Ceagesp.





