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domingo, 6 setembro, 2026

Falência da Thomas Cook causa maior operação de resgate desde a 2ª Guerra

A interrupção súbita das operações da empresa de turismo britânica Thomas Cook, que decretou falência após 178 anos no mercado, provocou a maior operação de repatriação em massa de britânicos desde a 2ª Guerra Mundial.

Espera-se que aproximadamente 150 mil viajantes sejam trazidos de volta ao país nos próximos dias como reflexo do fim das atividades da operadora.

Segundo o repórter de transportes da BBC Tom Burridge, 16 mil tinham retorno marcado para esta segunda-feira (23). Desse total, 14 mil devem ser deslocados em voos fretados, de acordo com as autoridades britânicas.

Batizada de Operação Matterhorn, a força-tarefa conta até o momento com 45 aeronaves que farão 64 rotas nesta segunda – uma escala que corresponderia à quinta maior companhia aérea do país.

Companhias aéreas como EasyJet e Virgin cederam parte dos aviões, alguns dos quais vindos de áreas distantes como a Malásia.

A Thomas Cook foi fundada em 1841 em Leicestershire pelo empresário que deu nome à companhia. Era a mais antiga operadora de turismo em operação do mundo.

Seu atual diretor-executivo, Peter Fankhauser, declarou “profundo pesar” e pediu desculpas aos milhões de clientes e milhares de funcionários” afetados pelo episódio.

A falência coloca 22 mil empregos em risco, sendo 9 mil deles no Reino Unido.

Pedido de resgate

O ministro dos Transportes britânico, Grant Shapps, afirmou que os gestores da operadora de viagens chegaram a sondar o governo sobre a possibilidade de um resgate da ordem de 250 milhões de libras, o que foi negado.

“Temo que (um resgate) manteria a empresa em funcionamento por um curto período de tempo, após o qual voltaríamos à situação em que estamos agora, precisando repatriar as pessoas a toque de caixa”, disse no programa Today da BBC.

O nível de endividamento elevado e o modelo de negócio muito baseado no varejo offline, com lojas de rua (“High Street-focused”, na expressão britânica), fazia da empresa uma fraca candidata à sobrevivência, acrescentou.

O parlamentar John McDonnell, por outro lado, disse à BBC que o governo deveria ter tentado salvar a empresa “pelo menos para estabilizar a situação enquanto um plano concreto para o futuro da companhia seria elaborado”.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, se comprometeu a auxiliar os viajantes afetados, mas questionou se os diretores da empresa estavam imbuídos da motivação necessária para “resolver esse tipo de problema”.

Operações internacionais também em xeque

Por ora, as subsidiárias da empresa na Índia, na China, na Alemanha e nos países nórdicos seguirão normalmente com as operações.

Isso porque, do ponto de vista jurídico, elas são empresas dissociadas da matriz no Reino Unido e não estão sob jurisdição da agência do governo que trata de casos de insolvência.

Elas compartilham, no entanto, uma série de recurso com a “companhia-mãe”, como aeronaves e serviços de tecnologia da informação, e precisarão negociar pacotes de resgates nas próximas semanas para continuarem com as operações.

Caso interrompam o serviço, entre 350 mil e 450 mil pessoas seriam afetadas.

Casamento adiado

Ruth Morse, natural da cidade de Halesowen, no condado de West Midlands, estava com o casamento marcado para o próximo dia 8 de outubro – mas agora não sabe se a cerimônia no Chipre vai de fato ser realizada.

Ela fez não apenas as reservas de passagens e acomodação por meio da Thomas Cook, mas também fechou a decoração, o bolo, o local da cerimônia e o serviço de bar com a operadora.

Dos 44 convidados, 25 haviam feito as reservas por meio da empresa.

“Estamos no escuro até o momento, eles ainda não entraram em contato conosco”, afirma Ruth.

“Sei que estamos protegidos pelo Atol (“Air Travel Organisers’ Licence”, uma espécie de seguro), mas não tenho tanta certeza em relação ao que compramos de terceiros por meio da operadora, como decoração. É um custo de 4 mil libras.”

Há dois anos ela planeja o “casamento dos sonhos”. Parte do dinheiro para a cerimônia veio de familiares — incluindo a mãe e o irmão mais velho, Ben, assassinado em 2017.

“A partir do luto nós tiramos forças para realizar um sonho”, diz a jovem.

“Vou remarcar tudo, mas não vou mais fazer no exterior porque perdi a confiança. Estou arrasada com tudo isso.”

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