O autor desta frase foi Chris Anderson, ex-editor da Wired, uma das maiores publicações de tecnologia do mundo. Anderson, que hoje é CEO de uma empresa de robótica e drones, deu essa afirmação quando perguntado sobre a relação das crianças com os celulares, tablets e afins.
O que mais preocupa é que as pessoas que mais conhecem as tecnologias são as que mais tem receio delas. Muitos magnatas da tecnologia como Bill Gates e Elon Musk não deixaram ou não deixam suas crianças terem acesso ao celular elas até a adolescência.
Instrumento pedagógico?
O debate que acontece no meio é que não há tantos benefícios a longo prazo das telas como instrumento pedagógico. Os riscos de vício e de desenvolvimento atrofiado devem ser considerados e não se sabe ao certo quanto de exposição aos celulares – por exemplo – seria adequado.
Kristin Stecher, uma ex-pesquisadora de computação social casada com um engenheiro do Facebook diz que “remover o contato com as telas é mais fácil do que minimizá-lo”. Ela ainda completa que “se minhas crianças têm um pouco de contato, elas acabam querendo mais”.
Suas filhas, de três e cinco anos, só acessavam telas em viagens longas ou aviões mas recentemente ela e o marido abandonaram a abordagem, onde só tem acesso às sextas-feiras, quando assistem à um filme em família.
Seu marido, Rushbabh Doshi, é fã de video-games e acha que podem ser educativos e divertidos para as pequenas mas ela adota um tom mais radical e discorda da abordagem.
Sem telas
Não é só Kristin que adota um tom radical quando o assunto são as telas para os pequenos. Hunter Walk, que foi diretor de produtos para o Youtube no Google por anos respondeu à relação de telas x crianças com a foto de um pinico com um iPad acoplado e a hashtag “produtos que não compramos”.
A executiva que está no setor filantrópico do criador do Facebook, Athena Chavarria, vai além: “Estou convencida, agora, de que o diabo vive em nossos celulares e está prejudicando nossos filhos”.
Athena não deixou seus filhos terem celular até o ensino médio e ainda restringe o uso rigorosamente em sua residência. Sua filha não ganhou um celular até o nono ano escolar americano. Pra ela a última criança a ter um celular em sala de aula é a vencedora.

Sem controle
Anderson, autor da frase do título, tem cinco filhos. E com essa propriedade diz que não há como controlar o prazer da tecnologia – “Esse controle vai além do nosso poder. Isso vai direto aos centros de prazer do cérebro em desenvolvimento. É muito além da nossa capacidade de entendimento como pais normais”.
Suas crianças seguem 12 regras sobre os aparelhos eletrônicos que incluem nada de celulares até o verão antes do ensino médio, nada de telas nos quartos, bloqueio de conteúdo, sem redes sociais até os 13 anos, controle de tempo entre outros. Se há um mau comportamento o filho fica sem nenhum acesso por 24 horas.
Que os pais estão desconfiados quanto à tecnologia no Vale do Silício não é novidade. Os criadores de muitas modernidades hoje existentes já expressavam suas opiniões a respeito anos atrás mas a aflição chegou ao auge por conta da multiplicação e a facilidade do acesso que nos cerca.
O manda-chuva da Apple, Tim Cook, disse que não deixaria seu sobrinho participar das redes sociais. Bill Gates como dissemos acima não deixou seus filhos com celulares até que fossem adolescentes. Sua mulher, Melinda ainda disse que queria aguardar ainda mais para que a tecnologia fosse para as mãos de seus filhos.
Steve Jobs, criador da Apple não deixou que seus filhos se aproximassem do iPad, sua invenção. Muitas babás que cuidam dos filhos de magnatas da tecnologias estão assinando termos de que não podem utilizar celulares durante a presença das crianças.
Ou seja, estamos com exemplos fabulosos de pessoas que comandam e criam tecnologias e que não querem que seus filhos tenham acesso por a conhecerem melhor do que nós.
Arrependimento
Aqueles que se arrependeram da exposição de seus filhos às telas tentam dissuadi-los do vício. John Lilly, ex-diretor do Mozilla disse que tenta ajudar seu filho de 13 anos a entender como ele está sendo manipulado pelas pessoas que criaram a tecnologia.
“Tendo dizer que alguém criou um código para fazer com que ele se sinta assim, faço o máximo para ajudá-lo a entender como as coisas são feitas, como os valores são inseridos nelas e que as pessoas estão fazendo para criar esse sentimento”. Mas ele só quer “20 mangos para conseguir skins no Fortnite (jogo online)”.
Equilíbrio
A pesquisadora do Centro de Tecnologia Humana (tradução literal: Center for Humane Tech) não permite tempo de contato passivo com telas mas tem interesse que suas crianças utem algum tempo para jogos desafiadores.
Renee DiResta quer que seus pequenos – um de dois e outro de quatro anos – aprenda a programar desde cedo e por isso faz distinção em como usar a tela. Ela permite que seus filhos joguem um jogo de construção, por exemplo, mas não permite que assista vídeos no YouTube a não ser que seja em família.
Já Frank Barnieri, um morador de São Francisco, diz que rastreia a atividade online da sua filha de cinco anos e restringe o tempo a conteúdo em italiano. Ele ainda diz que tem amigos que são abolicionistas de telas e outros liberais.
Ele tenta ficar no meio termo focando apenas no aprendizado de um segundo idioma para sua filha. Sobre o assunto ele desconversa e diz que ele e sua esposa só tem em mente uma coisa: “que lugar gostaríamos de visitar?”.
Fonte: MontMor





