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segunda-feira, 4 maio, 2026

Coronavírus: Vacina brasileira avança, mas vai demorar 3 anos

Desde cientistas brasileiros trabalham no desenvolvimento de uma vacina para o novo coronavírus fevereiro que causa a Covid-19. Avanços importantes foram registrados, os deixando bem próximos do início dos testes, porém, a chegada da vacina ao mercado deve levar ainda três anos.

“É um pouco desolador, mas o que se pode fazer? Gostaria que isso ficasse pronto em um mês, mas ainda falta fazer experimentos. Teoricamente, eu te dou a vacina amanhã e você produz, mas antes eu tenho de ver se funciona” explica Jorge Kalil, médico chefe do Laboratório de Imunologia do Incor (Instituto do Coração), da Faculdade de Medicina da (FMUSP) Universidade de São Paulo.

Mesmo que outros países cheguem a um resultado antes, Kalil lembra que é muito importante haver desenvolvimento de uma vacina nacional para que o Brasil não fique à mercê de outros para atender a população. “Imagina que o governo brasileiro desenvolva uma vacina. Você acha que vamos vender para os EUA? Não, vamos fazer vacina e imunizar os brasileiros.”

Não apenas por estar à frente do projeto de elaboração da vacina, mas pelo seu filho ter contraído o Covid-19, Kalil conhece muito bem os efeitos da Covid-19. Por isso até colocado em isolamento social. O que não significa que ele passou a ficar mais perto da família. Sua rotina de trabalho é de até 14 horas por dia. “Só dá tempo de me alimentar e dormir. Pergunta para minha esposa. Ela fala que eu não saio do computador, que eu não falo com ninguém”, contou.

A vacina

Sabendo da urgência da situação, o Incor adotou uma estratégia que acelerasse a criação da vacina, conta Kalil. A ideia é criar uma partícula semelhante ao coronavírus, chamada de VLP (sigla em inglês para “virus-like particle”). Ele explica que se trata de algo como um vírus oco, sem o material genético do coronavírus dentro. Isso tira a capacidade de transmissibilidade da Covid-19, o que torna seguro usar em vacinas.

Algumas abordagens seriam mais demoradas. “Fazer com vírus atenuado levaria anos, porque ele tem que estar fraco, mas não morto. É um problema testar se está fraco para todo mundo.”

As demais não possuem histórico comprovado de que dão certo. Como a vacina desenvolvida nos Estados Unidos, que usa uma ferramenta genética para reproduzir uma sequência de DNA. Essa vacina insere partículas sintéticas de RNA (o RNA mensageiro) do vírus no organismo humano, levando o corpo a produzir anticorpos contra o invasor.

Apesar disso, usar VLTs produz respostas mais robustas do organismo. Os cientistas estão focando em inserir no VLT a espícula, a parte usada pelo vírus para infectar células humanas. A ideia é fazer o organismo gerar anticorpos contra essa área.

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