Everton Araújo acredita que correções na taxa de câmbio, nos índices de inflação, assim como incentivo do Governo Federal podem melhorar cenário futuro
Altos índices de desemprego, inflação, desvalorização da moeda, altas taxas de juros e uma divida publica gigantesca. Esse é o cenário desanimador da economia brasileira em 2020. Mesmo em meio a uma pandemia que abalou todos os setores ao redor do globo, os mais otimistas ainda arriscavam um palpite de melhora em 2021, o que pode não acontecer.
É o que prevê o economista e professor Everton Araújo. Para ele, sem um real estímulo por parte do governo, não há como a economia brasileira se recuperar e apresentar um crescimento.
“Sem estímulos, a economia do país vai cair num fluxo circular sem ter um crescimento. Pode ocorrer melhoras em alguns setores, mas não vejo projeções positivas a curto ou médio prazo”, diz.
Segundo o economista, seria imprescindível que o Governo Federal mexesse na atual taxa de câmbio, assim como corrigisse os índices de inflação. “O indicador de inflação precisa ser corrigido. Tudo está mais caro, energia, aluguel, transporte. A realidade não condiz com os números que o governo está passando. A taxa de juros a 2%. Onde você acha essa taxa? Tem algo errado nesse contexto”, questiona.
Queda e crescimento – Araújo afirma ainda que alguns setores podem sim ter uma melhora como as vendas digitais e a construção civil. No entanto, faz algumas ressalvas. “Podemos ter aquela melhora em forma “K”, uns setores crescem e outros caem, como o comércio físico. A construção civil é um setor que não vai parar, porém tem um problema sério na cadeia de suprimentos. As matérias primas importadas podem sofrer inflação o que é ruim para o setor.”
Ainda na construção civil, Araújo enxerga outro ponto que ajuda a manter o pessimismo em relação a retomada econômica. Segundo ele, a utilização do Índice Nacional de Custo de Construção (INCC), que mede a variação do custo dos insumos utilizados em construções habitacionais, para reajustar as parcelas dos contratos de compras de imóveis durante a fase de construção, não é positiva. “Seria interessante se esse setor ganhasse força novamente,” comenta.





