Funcionários dos Correios não querem pagar prejuízo

O prejuízo do fundo de pensão dos Correios é grande, e agora querem que os funcionários paguem a conta

Como toda estatal que se preze, os Correios têm também seu fundo de pensão – o Banco do Brasil, por exemplo, tem o Previ. O fundo dos Correios é o Postalis. Para o dinheiro não ficar parado, os fundos de pensão investem em ações, imóveis e participação em empresas. Seria para dar um lucro e tanto. Seria.
No caso do Postalis, investimentos mal feitos, juntados à maracutaia reinante no país, deram um rombo de R$ 5,6 bilhões. Para cobrir esse rombo, os Correios criaram uma maneira simplória, que não agradou os funcionários: cortar o salário. E não é pouco. A proposta é reduzir 25% (ou um quarto) o salário desse pessoal a partir do próximo mês.
Como não tem conversa, os funcionários foram à Justiça e prometem promover novas greves para evitar que tenham de pagar a conta. O fundo dos Correios, o Postalis, é controlado pelo PT e pelo PMDB. Outros fundos também tiveram prejuízos bilionários, caso do Funcef (dos funcionários da Caixa Econômica Federal) e do Petros (dos funcionários da Petrobras).
A idéia de jerico de cortar os salários partiu do conselho deliberativo do Postalis. E esse conselho veio com bondades – a cada ano reavalia o prejuízo, a partir do retorno dos investimentos, para ir regularizando o salário. Promete levar em conta também a expectativa de vida dos participantes – que não deve ser lá essas coisas, dadas às condições de trabalho.
Um funcionário que ganhe hoje R$ 2 mil, receberá em abril somente R$ 1.500, além de continuar pagando a contribuição normal para o Postalis, uma espécie de desconto do INSS nas empresas privadas. Esse corte atinge 75% dos funcionários dos Correios.
Integrantes do fundo afirmam que o déficit bilionário é resultado da má administração dos investimentos dos últimos anos. Também acusam os Correios de não terem pago a dívida que têm com o Postalis. Por isso, a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) entrou com duas ações na Justiça Federal.
A primeira contra a ECT para que a empresa reconheça que deve 1,150 bilhão de reais ao fundo e abata esse valor do cálculo do prejuízo que precisa ser resolvido. No outro processo, a federação quer que a estatal assuma o pagamento do déficit integralmente por entender que a responsabilidade pela má gestão dos ativos do fundo é da patrocinadora.
“Esse novo reajuste repassa para nós a culpa da má administração do fundo”, afirma José Rodrigues dos Santos Neto, presidente da Fentect. Ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), a federação diz reunir trinta sindicatos, que representam 74.000 trabalhadores dos 120.000 dos Correios.
A Adcap (Associação Nacional dos Profissionais dos Correios) também promete ingressar com medida judicial. “Entendemos que os Correios deixaram de pagar essa dívida com o Postalis para maquiar o balanço e apresentar resultado positivo no ano passado”, afirma Luiz Alberto Menezes Barreto, presidente da entidade, que representa os profissionais de nível médio, técnico e superior.
Mandar a conta para os carteiros não é coisa nova. Eles já fazem contribuições extras ao plano desde 2013 para cobrir o déficit de 1 bilhão de reais dos dois anos anteriores. Nesse período, foi descontado mensalmente do salário 3,94% do valor da aposentadoria, da pensão ou do valor previsto para o benefício – no caso dos servidores da ativa.

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