Transporte de passageiros era levado a sério com vagões de primeira classe
Quem hoje usa o trem como transporte não sabe o quanto eram bons os tempos antigos. Os trens de passageiros eram insuperáveis. A Companhia Paulista, por exemplo, tinha vagões pintados de azul e branco. Os da Araraquarense (que passavam por Jundiaí com destino a São Paulo), eram em aço escovado. Os da Sorocabana eram de madeira.
As locomotivas eram atração à parte. Todas tinham nomes dados por funcionários, como Vandeca ou Lambreta. Eram movidas a diesel ou eletricidade- as da Sorocabana eram a vapor, as marias-fumaça. Os vagões eram divididos em primeira e segunda classes – os de primeira, mais confortáveis, com verdadeiras poltronas.
Havia mais luxo nos carros Pullman da Paulista – janelas panorâmicas, poltronas que giravam em todas as direções, mesas e serviço de bar. E podia-se fumar. E fumar era elegante. Havia, nos trens de longo percurso, o vagão restaurante (restaurante de verdade, com serviço a la carte) e o vagão dormitório. E, em todos os vagões, passava o carrinho com lanches e bebidas.
O apito do trem era inconfundível, assim como o apito do chefe da estação. Acertava-se o relógio pela chegada do trem, tamanha sua pontualidade. Mas até hoje ninguém explicou o porquê do funcionário que batia com um martelo de madeira as rodas de aço dos trens.





