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sexta-feira, 23 outubro, 2026

Consciência ambiental ainda é pífia entre nós

No dia 5 de junho é comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente. Certamente haverá políticos fazendo discursos, enaltecendo a data; certamente haverá algumas ações, como plantio de árvores, uma exposição fotográfica, palestras… para tudo ser esquecido no dia seguinte, como se a Terra parasse.
A falta de cuidado com o meio em que vivemos vem desde os primórdios da civilização, quando as queimadas eram usadas como arma, quando se derramava óleo fervente nas muralhas, e quando se derrubava árvores a torto e a direito para construção de barcos, casas e pontes.
Duas grandes guerras, no século passado, aumentaram a devastação, ou com a extração exagerada de minérios para fabricação de armas, ou com o lançamento de bombas, torpedos e mísseis sobre a terra e no mar. Imagina-se, nos dias atuais, o estrago feito no mar por aviões e navios abatidos durante os conflitos.
Mais recentemente, guerras no Oriente Médio produziram novas devastações. Os iraquianos, por exemplo, incendiaram os poços de petróleo do Kwait quando o invadiram. Usaram armas químicas, garantem outros, coisa que vinha sendo usada desde a primeira guerra.
Essa é a devastação escancarada, mas outra, mais silenciosa, colabora para a degradação. O uso de produtos químicos para se lavar a roupa ou a louça, por exemplo. Ou de aerosóis como inseticidas ou desodorantes. E isso dentro de casa. E tudo isso vai para o esgoto, que será levado aos rios – os mesmos rios onde tiramos água para beber e para outras necessidades.
O uso exagerado de plásticos, a má destinação do lixo, e até os cemitérios tradicionais poluem, e muito. Um corpo em decomposição tem seu líquido putrefato penetrando constantemente na terra. Até quando isso vai durar ninguém sabe.
As campanhas para se reduzir a poluição, seja nas fábricas ou no dia a dia, são tímidas. Não se explica, por exemplo, que até o toco do cigarro com filtro leva anos e anos para se decompor, e assim continua sendo jogado nas ruas – de lá para as galerias de águas pluviais, e delas para os rios.
A legislação endureceu bastante a vida dos que poluem, mas não o suficiente. Há milhares de anos existe essa degradação, e não serão leis ou decretos que vão recuperar o mundo. E mesmo com toda essa parafernália legal, há os que desrespeitam tudo – são esgotos jogados in natura nos rios, são indústrias que fazem despejos químidos, são ônibus que soltam fumaça demais, e o excesso de carros que gera monóxido de carbono.
Para se ter uma idéia da falta de consciência ambiental, somente em 1983 ocorreu o tombamento da Serra do Japi, na região de Jundiaí. E a cidade começou a ser povoada em 1655 – ou seja, a serra passou 328 anos ao deus-dará. Hoje, controlada e preservada, é vista como um tesouro.
Com uma consciencia ambiental pífia, o futuro pode reservar muitas surpresas. Talvez tenhamos a repetição das pragas que assolaram o Egito na narrativa bíblica da história de Moisés – hoje não temos os gafanhotos, mas temos vírus para todos os tipos de doenças. Sem futuro, certamente não haverá vida.

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