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sexta-feira, 23 outubro, 2026

Tempo de festas juninas pode ser tempo de problemas

As festas juninas são as que mais fornecem gente para hospitais tratarem de queimaduras motivadas principalmente por rojões. E mais gente intoxicada com comidas próprias da época, que ninguém está acostumado. Soltar fogos e acender fogueiras aumenta em 50% o número de pacientes com queimaduras em hospitais em todo o Brasil.
Quanto às queimaduras: no Brasil, acontecem um milhão de acidentes desse tipo por ano. Das vítimas, 40% têm idade entre 3 e 12 anos. Intoxicação alimentar é menor, não chega a 10% do total. As bebedeiras (quentão e companhia) também costumam levar gente aos hospitais.
Mas existem algumas prevenções para não estragar a festa. Por exemplo: comidas mais fortes não devem ser servidas a crianças. E adultos, que também não estão acostumados a isso, devem comer com moderação.
Soltar fogos não é para criança. Mas ela insistir, bater o pé, chorar, existem fogos fraquíssimos. Mas mesmo assim é preciso estar com um adulto. Um adulto atento. E os adultos que gostam de soltar o foguetório também precisam tomar cuidados, como não apontar o rojão para obstáculos, não os soltar em lugares fechados e usar extensões, evitando proximidade com o rosto.
Fogueiras também exigem cuidados. Acender com álcool pode, mas é bom deixar a garrafa longe depois. Jogar álcool na brasa é pedir para se queimar. E em caso de acidente, nada de pomadas caseiras ou creme dental – é melhor procurar socorro médico.
Soltar balões, nem pensar. Desde 1998 fabricar, vender, transportar ou soltar balões é crime ambiental. Dá três anos de cadeia e uma bela multa. E mesmo que ninguém veja quem soltou o balão, basta pensar que ele vai cair com a tocha acesa, sabe-se lá onde.
O porquê das festas
As festas juninas são uma tradição católica, trazida pelos portugueses, e comemoram três santos: Santo Antonio (13 de junho), São João (24) e São Pedro (29). De longe, Santo Antonio é o mais popular, por ser conhecido como o santo casamenteiro.
Normalmente acontecem em grandes espaços – os “arraiás” – com barracas de comidas típicas, danças, como quadrilha e forró, casamento caipira, pescaria, correio elegante e pau-de-sebo. As feitas ao ar livre normalmente têm fogueira. Todo o espaço é decorado com bandeirolas.
O ponto alto de uma festa junina é o casamento caipira, normalmente encenado pelo casal de noivos, um padre de araque e um delegado (também de araque), obrigando o noivo a se casar. Nos últimos anos elas diminuíram na região, mas a tradição é repassada pelas escolas.

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