Não é novidade – em todo condomínio sempre tem uma casa ou apartamento que deixa de pagar a taxa mensal cobrada para cobrir as despesas comuns. Mas nos últimos tempos essa parcela de gente que atrasa e deixa de pagar ficou maior. São os inadimplentes, para os síndicos, ou os caloteiros, para os vizinhos que são obrigados a cobrir sua parte.
No ano passado, por exemplo, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo registrou 597 ações de cobrança por calote no condomínio. Isso no mês de maio. Em maio deste ano foram 825, e em junho, 874. A tendência é aumentar mais. Nos últimos doze meses, foram mais de dez mil ações do tipo em todo o estado.
“Muita gente perdeu o emprego ou teve redução de renda, e não consegue pagar o condomínio em dia, explica um síndico. Na realidade, ninguém quer deixar de pagar, ninguém dá o calote de propósito. Nós procuramos negociar, parcelar, mas quando o morador não tem dinheiro, fazer o que? ”
Para alguns moradores de condomínios o buraco é mais embaixo. Citam as obras desnecessárias, as cobranças exageradas. Ninguém está satisfeito com as taxas. Um condomínio, por exemplo, pensa em construir uma piscina, a pedido de poucos moradores. O custo será repartido por todos.
Noutro, a reclamação é sobre o excesso de funcionários. “Da minha janela observo as mulheres que fazem limpeza conversando, encostadas nas vassouras, horas seguidas – queixa-se uma moradora. Se está sobrando tempo para elas, é sinal que tem gente demais, e quem paga tudo isso somos nós”.
Há os que citam as empresas terceirizadas que prestam serviços em condomínios. Esses, mais críticos, falam da arrogância de porteiros, da inconveniência dos guardas, principalmente para com as mulheres, e os serviços desnecessários. “Onde moro, o síndico manda cortar grama até em dia de chuva, conta um dos que reclamam. E não é uma pessoa cortando a grama, é a empresa inteira sugando nosso dinheiro”.
Como a administração do condomínio tem suas contas para pagar, como a iluminação de áreas comuns, limpeza, serviços de portaria e vigilância, os que pagam em dia acabam pagando pelos que “esquecem” de pagar. Resultado: a conta fica maior para todos, o que faz aumentar, aos poucos, o número de caloteiros.





