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sábado, 2 maio, 2026

Livro e documentário mostram luta de Zilda Arns

Morta em janeiro de 2010, durante o terremoto que atingiu o Haiti, Zilda Arns vai ganhar um livro e um documentário, preparados pelo jornalista Ernesto Rodrigues, que deverão ser lançados ainda neste ano. Líder da Pastoral da Criança, Zilda enfrentou a própria igreja católica para colocar em prática seus projetos.
Tornou-se conhecida após um surto de poliomielite que atingiu o Brasil. Contratada para ser a secretária de Saúde do Paraná, conseguiu erradicar a doença antes dos outros estados, mesmo com menos recursos. Foi o que lhe deu notoriedade.
Sa vida começou com contrariedades. Filha de imigrantes alemães que foram morar no Paraná, brigou com a família para estudar Medicina, profissão que não era vista como sendo para mulheres. Em 1973, contrariando a tudo e a todos, viajou para a Colômbia para se especializar em Medicina Sanitária – já tinha quatro filhos e estava grávida novamente.
Um professor avaliou suas condições e recomendou um aborto. Não fez, pois era radicalmente contra. “De fato ela era contra o aborto e toda a ação em prol da legalização. Isso lhe valeu a pecha, entre as feministas, de representar a Igreja e não as mulheres”, conta o jornalista Ernesto Rodrigues.
Tinha prestígio. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, entrevistado no livro e no documentário, afirma que certa vez deixou uma reunião do Copom para atender Zilda, que havia aparecido sem marcar hora. Ela tinha um projeto social e não hesitava em expô-lo, seja a políticos ou a fornecedores de cestas básicas.
Entre as entrevistas feitas para o filme, a de Dom Paulo Evaristo Arns, irmão, mostra como a Pastoral da Criança, hoje um modelo mundial de atenção social, desagradava quase todos os setores da sociedade, inclusive da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB. “Havia muita resistência contra nossa família”, conta ele.
Zilda era adepta da pesagem e de dosagens de soros fisiológicos para a criançada. Isso lhe valeu muitas críticas, mas o resultado foi bom – a mortalidade infantil, que era de cem mortes para cada cem mil crianças, baixou para 15.
Não bastassem as oposições políticas, muitos pediatras se incomodaram com os procedimentos adotados pela colega na sua campanha contra a desidratação e a desnutrição, o soro fisiológico e a multimistura. “Era difícil convencer que água com açúcar e sal era remédio”, conta Nelson Arns Neumann, hoje dirigindo a organização criada pela mãe.
O livro de Ernesto Rodrigues será lançado pela Editora Vozes, e o documentário já está inscrito num festival de cinema do Rio de Janeiro.

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