No começo dos anos 1990, o médico pneumologista Antonio de Pádua Pacheco era diretor de Saúde da prefeitura de Jundiaí. Fazia seu trabalho de rotina, quando surgiu um problema e tanto – o ICT (Instituto de Cirurgia e Traumatologia), conhecido como Hospital da Ponte, fechou suas portas.
Os moradores da região (Ponte, Colônia, Tarumã, São Camilo) se mexeram para evitar o fechamento, mas não conseguiram. Ligado ao grupo Game (Guarulhos Assistência Médica), o hospital manteve seu fechamento. A solução foi apelar à prefeitura, e na mesa de Pacheco apareceu uma comissão com um abaixo-assinado subscrito por mais de cinco mil pessoas.
O problema foi levado ao prefeito, na época Walmor, que de saída disse não poder fazer nada. “O hospital é particular e a prefeitura não podia obrigar seus donos a mantê-lo aberto”, conta Pacheco. Mas o problema não saiu de sua cabeça, e no dia seguinte ele levou ao secretário e ao prefeito outra alternativa – abrir um pronto-atendimento.
Walmor achou boa a ideia e encarregou-o do projeto. Nove meses depois o PA foi entregue. Foi o primeiro do país e precursor das atuais UPAs (Unidade de Pronto Atendimento) adotadas pelo Governo Federal.
“O pronto-atendimento desafogou o Hospital São Vicente de imediato, conta Pacheco. Ele funciona como um pronto-socorro, sem estar ligado fisicamente ao hospital, e muita coisa que pode ser resolvida nele evita a sobrecarga em hospitais, que ficam reservados a casos mais complexos”.
A intenção era construir outros quatro na cidade, mas isso não aconteceu. O tempo passou, Pacheco foi quatro vezes candidato a vereador, até que na quinta vez, em 2012, se elegeu pelo PSB. Na Câmara apresentou ideias boas – e há outras a caminho – e agora prepara outro passo – quer ser candidato a prefeito e ganhar.
“A direção estadual do PSB é para que o partido tenha candidatura própria, ou se junte ao blocão, onde for possível, que seria formado pelo PSB, PV, PPS e Solidariedade – explica Pacheco. Mas a direção municipal não pensa assim e praticamente já se aliou a outro candidato, contrariando a direção estadual”.
A referência não é nada velada ao presidente do partido local, Oswaldo Fernandes, que já esteve com o PSDB no segundo turno das eleições de 2012 e na eleição do ano passado. Mas Pacheco garante que vai continuar defendendo seu projeto.
Se for o candidato e ganhar, já tem prioridades definidas. “Prioridade das prioridades é a questão da Saúde – afirma ele. Depois temos a questão da Educação, onde podemos melhorar muito”.
Para Pacheco, Jundiaí pode ser considerada uma boa cidade. “Temos as duas rodovias mais importantes do país, Anhanguera e Bandeirantes, diz ele. Nossa mão de obra é altamente qualificada, mas precisamos investir mais em escolas técnicas. O Instituto Federal, por exemplo, é o caminho para uma universidade pública”.
Pacheco defende ainda maior integração da Faculdade de Medicina de Jundiaí (uma das melhores do Brasil, segundo ele), com os serviços públicos. “Temos muito à disposição, mas não usamos tudo o que temos”.
Politicamente, afirma que não é situação nem oposição. “Minha posição é independente. Se for bom para a cidade, sou a favor. Se for ruim, sou contra – diz ele. Sobre o fato dos atuais deputados virem a disputar a eleição para prefeito ele é taxativo: “São bons deputados e precisam continuar onde estão, foram eleitos para isso. Se deixarem o cargo no meio do caminho estarão traindo os eleitores”.





