Povos antigos tinham um deus para cada situação. Para a guerra, fulano, para a fertilidade, fulana. Para os gregos, só um deus maior, Zeus, o que mandava nos outros. Os tempos mudaram; judeus, cristãos, muçulmanos e budistas adotaram o monoteísmo. Mas hoje há outro deus superior. É o deus dinheiro.
Nada mais se faz se não houver dinheiro. Nos anos 80, Blumenau (Santa Catarina) sofreu devastação por causa das chuvas. O rio Itajaí-Açu, que corta a cidade, transbordou e praticamente destruiu tudo. Para se recuperar, um grupo de cidadãos promoveu uma festa, com base na tradição alemã, a Oktoberfest. Muito parecida com a festa de Munique, na Alemanha.
A festa fez sucesso e foi repetida no ano seguinte. Passados mais de 30 anos, nada restou das primeiras Oktoberfest. Tudo virou comércio, dinheiro, lucro. O mesmo aconteceu no Nordeste, onde as festas juninas são conhecidas como São João. No começo, folclore, tradições, famílias. Hoje, só dinheiro.
Datas comemorativas – todas – visam somente lucros. Natal já foi festa cristã; dia das mães já foi um domingo de se comer macarronada e agradecer a matriarca – até os filhos eram mais numerosos; dia dos namorados não é para comemorar o amor, é para comprar presente, gastar, dar lucro.
Tudo o que se faz no mundo de hoje é por dinheiro. Americanos invadiram o iraque e derrubaram Sadam Hussein por dinheiro. Não houve idealismo. Estavam de olho no petróleo, nada mais. Por sinal, americanos vivem de guerra. Guerras são extremamente lucrativas. Munições têm prazo de validade, precisam ser usadas. A indústria precisa vender uniformes, botas, mochilas, carros de combate, aviões, mísseis…
Não se busca cargo sem pensar em dinheiro. Ninguém é eleito presidente para salvar o país de catástrofes ou para melhorar a vida do povo. Cargo é poder, e poder é dinheiro. E essa busca pelo dinheiro deixa de lado qualquer tipo de escrúpulo ou dor de consciência.
Ou alguém duvida que os grandes laboratórios não consigam descobrir remédios para o câncer e outras doenças consideradas incuráveis? Melhor manter os doentes sob controle, comprando o remédio por eles fabricados, pagando-se caro por isso durante uma vida toda do que curar o mal de vez.
O dinheiro é bom e necessário. Mas não deve ser o norte de tudo. Não deve ser endeusado. Há outros valores a serem levados em conta. Mas esses valores só serão descobertos no final da vida, quando a maioria se convence que não adiantou ter tanto dinheiro. O caixão é igual pra todo mundo.





