Manda a experiência que se acredite em atos, não em palavras.Os atos de alguns ministros e juízes reforçam esse credo e tornam mais difícil se acreditar na Justiça a cada dia que passa. São atos isolados, que não espelham o pensamento da maioria séria e competente, mas que comprometem a credibilidade de todo o Poder Judiciário.
Não faltam maus exemplos para incutir na população a tese de que a Justiça é só para os pobres. Os ricos, no caso, têm outro tratamento, mais benevolente. E não só porque conseguem bons advogados. Têm influência, sabem o caminho das pedras, falam com a pessoa certa.
O empresário Carlinhos Cachoeira é um exemplo bem recente. Condenado a quase 40 anos de cadeia por explorar jogos ilegais e fazer outras peraltices no Código Penal, andava solto como se nada fosse com ele. Solto, gastando dinheiro, frequentando festas, passeando – inclusive fora do Brasil.
Preso novamente na semana passada, passou só uma noite na cadeia. Dessa vez, Carlinhos está metido num trambique e tanto – junto com o dono da Construtora Delta, Fernando Cavendisch, é acusado de desviar R$ 370 milhões dos cofres públicos.
O ex-ministro Paulo Bernardo, marido da senadora Gleisi Hofmann, foi denunciado na Operação Lava Jato. É acusado de participar de esquemas de desvios milionários de dinheiro público. O ministro Dias Tofoli, do STF, mandou soltá-lo. Tofoli, é bom lembrar, é advogado, tentou diversas vezes a carreira de juiz (e não passou nos concursos) mas foi nomeado para o STF por Lula. Antes, havia sido advogado do PT.
Ficou conhecido também o caso do juiz carioca que, bêbado e sem carta de motorista, se indispôs com a agente de trânsito que o multou. Esse se enquadra na categoria dos deuses, coisa comum em muitas profissões. São também conhecidos os casos de empresários que deram calote em seus funcionários e continuam levando vida de nababos.
Alguns cometeram o crime de apropriação indébita – descontaram do salário dos funcionários (quando pagavam) a porcentagem do INSS e nunca fizeram um recolhimento. Ficaram com o dinheiro. Também continuam circulando como se nada fosse com eles. E até se ofendem quando são questionados.
Os exemplos são de gente que teve tratamento diferenciado na Justiça. Não são como o pobre diabo desempregado e sem dinheiro obrigado a comparecer na Vara de Família explicar o porquê de não pagar pensão alimentícia e ser ameaçado de prisão. Nem como o pobre lavrador que matou a cascavel e agora responde por crime ambiental. Talvez, para os brilhantes legisladores, o lógico seria ele ser picado, envenenado e morrer. Contanto que a cascavel, considerada nativa, fosse salva.
Com tantos maus exemplos passou da hora dos bons juízes e ministros colaborarem um pouco para melhorar essa imagem. Bons exemplos são vistos e lembrados. Como o da ministra Rosa Weber, que mandou suspender as ações movidas por péssimos juízes paranaenses contra jornalistas que tornaram públicos seus milionários salários. A Justiça precisa de mais Rosas, de mais Moros e mais Joaquins Barbosas.





