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terça-feira, 27 outubro, 2026

Editorial: Mais uma

O ex-prefeito Walmor Barbosa Martins costumava dizer que o Brasil é um país tão rico e tão bom que se recupera durante a noite, enquanto os políticos dormem, do que foi roubado durante o dia. Ele tem razão. Agora apareceu mais uma falcatrua na Petrobras – as receitas de medicamentos fraudadas para que os funcionários recebessem o reembolso.
O programa, criado com boas intenções, cobre as despesas com remédios de seus funcionários. Só que tinha bastante espertinhos forjando receitas para receber o dinheiro. A Petrobras andava gastando R$ 20 milhões por mês com essa brincadeira. Andava, até contratar uma empresa para dar uma olhada melhor nisso.
Resultado: a empresa achou 13 mil receitas falsas. Algumas sem nome do médico, outras em branco, sem data, sem nada. Era uma fábrica de reembolsos. Há um caso estranhíssimo nisso tudo. Em junho do ano passado, um funcionário apresentou notas para reembolso.
Num mesmo dia, foram nove compras. Às 9h22 em Candeias, na Bahia. Apenas seis minutos depois, às 9h28, outra compra foi feita em Angra dos Reis, no RJ. Às 9h35, mais uma compra – em Salvador. E em seguida, no RJ novamente e em SP. Depois, no RJ, em Aracaju, outra no RJ e, por último, em Salvador.
Há mais incoerências nessas compras reembolsadas, como a de uma mulher que andou comprando remédio para a próstata, ou de um homem que comprou remédio para garantir a amamentação e preservar seus seios. E isso até lembra a história do hospital que, de tanto falsificar guias para o INSS, na época, mandou um prontuário de cesariana num homem.
Uma semana antes de aparecer essa história, outra já havia chocado parte do país – a dos empréstimos consignados. Havia figurões roubando aposentados e funcionários públicos endividados, que se socorriam desses empréstimos. E essa roubalheira envolve gente de quase todos os partidos, o que prova que a corrupção não é de esquerda nem de direita – é ambidestra.
Nem chocam mais as novidades das delações premiadas. A roubalheira está tão banalizada que talvez algum dia todos nós nos choquemos quando alguém for citado como honesto. E, fato curioso, todos os ladrões evoluem em suas funções. Collor, quando presidente da República, foi acusado de levar determinada quantia. Agora senador, e envolvido em outras maracutaias, é acusado de levar bem mais.
Onde vamos chegar é uma incógnita. O vice-quase-presidente Michel Temer já perdeu três ministros que mal haviam esquentado a cadeira. Todos por maracutaias. A cada dia, novos indicados são suspeitos de alguma coisa, no mínimo. O jeito é devolver o país para os índios, tal como era antes de 1500. Caciques costumavam ser mais honestos.

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