Muro das lamentações

Ler postagens do Facebook e outras redes sociais hoje em dia tornou-se enfadonho. Antes mesmo de muitos usuários postarem suas asneiras – uma espécie de vergonha alheia – o próprio Facebook envia dezenas de mensagens convidando quem está lendo a fazer testes mais idiotas, imbecis, sem noção, do que as próprias postagens non sense.
No fundo, as redes sociais tornaram-se um muro de lamentações. Alguém que perde o emprego usa a rede para acusar o ex-chefe, a amiga desleal que puxou o tapete e até os regulamentos ortodoxos de seu ex-emprego.
Mulheres traídas ou que perderam seus maridos, namorados ou ficantes, postam sua vingança contra o ex de forma ridícula. Expõem sua vida e sua privacidade como fosse obrigação de todos tomarem conhecimento de sua desgraça. A culpa, como sempre, é da outra. Normalmente esses posts são seguidos de rogações de pragas intermináveis.
Um tempo predominavam os posts de animais. Ora um gato fazendo travessura, ora um cão tomando banho. Depois vieram os pratos nada elaborados, nada saudáveis. Houve gente que cozinhou salsicha e fez questão de postar seu feito – a difícil arte de cozinhar a salsicha. Outros casos apresentaram a quase impossível missão de fritar um ovo.
Agora a moda é outra. É exibir desgraças. Traições conjugais lideram a lista. Em seguida são os problemas de doença, associados a crenças e outros rituais. Estão repetitivos os posts pedindo que a pessoa digite a palavra amém. Ou os da vela acesa com o pedido “ajude a manter acesa essa vela pelos pacientes com câncer”.
Os testes apresentados pelo próprio Facebook beiram o ridículo. E há muita gente fazendo, perdendo tempo e ainda publicando em seguida, como fosse uma conquista. O teste “quem foi você em vidas passadas” remete a um tempo onde só havia reis, rainhas, princesas e outros nobres. Nunca alguém foi um serviçal nas possíveis vidas passadas.
Nesse território livre, liberal, democrático – mas totalmente sem noção – sobra coisa interessante. Informações “jornalísticas” exigem desconfiança total. Não são críveis nem a uma criança. Mas há os bem humorados que salvam a safra.
São os que aproveitam fatos verídicos para interpretarem de forma jocosa as fotos ou textos oficiais. Ou os que tiram partido, com humor, dos deslizes dos brilhantes jornalistas da safra atual, que criam termos como volumização (fazer volume), vandalizar (praticar vandalismo) e outras asneiras que empobrecem e emburrecem o linguajar.
E as fotos? Essas são um caso para ser estudado. Pessoas que fazem selfies sem atentar para o que há atrás de si, que acabam expondo essas pessoas a situações vexatórias. Gente de manifesta ignorância que escrevem na foto, como o sujeito que fez selfie com a Torre Eiffel ao fundo com a seguinte legenda: Feliz por estar na capital americana. O que prova que é possível tirar algum da favela – mas nunca a favela da pessoa.
Contra esse muro de lamentações nada podemos fazer. A não ser lamentar. Bons tempos os do Orkut…

Anselmo Brombal

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