O horário do tanto faz

Na semana passada, os iluminados técnicos e políticos de Brasilia davam alguma esperança a todos nós – havia a possibilidade de não haver horário de verão a partir deste ano. Nesta semana, a esperança acabou. Vai haver horário de verão a partir do dia 15 de outubro, dia do Professor. Um domingo, que vai poupar pelo menos os professores.
A história é a mesma de sempre – economia de energia elétrica. Mentira deslavada, diga-se de passagem. Nunca economizou nada, nunca serviu pra nada, a não ser para atrapalhar a vida de todos que precisam trabalhar. Por sinal, os próprios iluminados do governo já tinham concluído que era besteira.
O horário de verão estica mais o dia, o que faz com que as pessoas usem lâmpadas e outros eletrodomésticos mais tarde – essa era a desculpa anterior. Um estudo do próprio IBGE prova que hoje não existe mais essa história de pico de consumo de energia. Hoje as famílias passam o dia com a TV ligada e as empresas não poupam o ar condicionado.
É preciso entender onde está o pulo do gato do horário de verão. Se o governo faz tanta questão disso é porque tem gente ganhando dinheiro. Nada sai de graça de Brasilia.
A questão da energia elétrica é uma história de carochinha. Aos fatos: há 20 ou 30 anos as famílias tinham outros eletrodomésticos – um aparelho de TV, rádio, geladeira, ventilador e olha lá. Hoje qualquer casa tem mais de um aparelho de TV, computadores, aparelhos de ar condicionado, geladeiras, ventiladores e outros mais. E tudo isso fica ligado, na maioria das vezes, o dia inteiro.
Muitas casas têm piscinas, que usam bombas e filtros, saunas, jardins iluminados, fontes… e isso demanda energia. Dizem também os iluminados que o dia sendo mais longo, com mais iluminação natural, gera economia. Tá, mas o dia começa mais cedo, quando está escuro e as lâmpadas ficam acesas.
Mas como aqui as coisas são impostas, o horário de verão vem mesmo. Serão 15 dias de adaptação do organismo humano à diarréia mental dos governantes – o relógio biológico não entende tanta asneira. Será uma hora roubada no dia 15, que só será devolvida em fevereiro – e quem morrer antes fica no prejuízo.
O ideal seria levar essa turminha de Brasilia pro deserto do Saara para expô-la ao sol do meio-dia. Quem sabe, derretendo os miolos, sobre algum resquício de massa encefálica aproveitável? Quem sabe o sol do Saara desperte algum neurônio perdido numa cabeça parlamentar?
Mas fica uma sugestão de anarquia geral: ninguém respeitar o horário. Todo mundo chegando para trabalhar no horário antigo. No caso dos bancos e repartições públicas, que fecham no horário mais que rígido, todo mundo poderia chegar faltando uns 15 minutos para o fim do expediente – e quem está dentro precisa ser atendido. Seria uma festa.

Anselmo Brombal

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