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Aguinaldo Oliveira

Quem poupa o lobo, condena o cordeiro

Fulano faz deliberadamente o seu trabalho mal feito. Beltrano faz fofocas e fala mal da empresa, inclusive para os clientes. Sicrano se faz de coitado e cria um clima negativo entre os colegas…

O que esses caras todos tem em comum? Eles serão responsáveis pela precariedade do seu emprego. Leia o artigo até o final e entenderá:

Nosso país é jovem, são apenas 500 anos. Temos ainda uma cultura interiorana, hospitaleira, pela qual fomos ensinados a “não fazermos malcriação”. Essa expressão rezava que não deveríamos chatear os amigos.

Porém, as gerações se passaram e o conceito de gentileza e amizade se desviou um pouco, levando boa parte do nosso povo a dificuldade de contrariar os companheiros. Isso, somado a uma dose de corporativismo e daquele sentimento de achar que quem está no mesmo nível hierárquico é digno de mais confiança do que os superiores faz com que o sabotador da empresa demore muito a ser identificado.

Normalmente o cidadão de bem tende a não querer prejudicar o outro ainda que o outro esteja o prejudicando. O bandido não tem nenhum pudor em matar o cidadão, mas o cidadão se preocupa com suas ações, mesmo que a vítima destas ações sejam bandidos. Isso é algo constante em todos os lugares e não seria diferente numa corporação. É justamente por este motivo que muitas equipes se desfazem ou sofrem para atingirem seus objetivos.

Uma vez detectei que duas pessoas de minha equipe “remavam no sentido contrário”. Uma delas era boa tecnicamente, mas questionava uma série de processos. A outra trabalhava pouco mesmo, sem se preocupar com os resultados finais e ambos, nas suas síndromes de bola murcha, tentavam convencer outros colegas de que as coisas estavam ruins. Criavam a expectativa de que tudo somente iria piorar.

Quando senti o cheiro ruim no ar, iniciei uma investigação para saber o que acontecia. Pesquisei, conversei com as pessoas e descobri que a “rádio peão” era percebida por todos, mas ninguém tinha coragem de contrariar e nem de deletar… Contrariar a rádio peão sempre rende o título de puxa-saco de alguém e deletar faz ser apelidado de dedo-duro. Como ninguém quer ser chamado de nenhum desses nomes, as pessoas se calam e até engrossam o coro. O problema é que, conforme o câncer se alastra pela empresa, mais pessoas e departamentos vão sendo atingidos e prejudicados.

O causador dos buchichos e seus seguidores descontentes não tem amor a empresa, não se preocupam se ela sofrerá com isso, afinal eles estão ali somente de passagem e em pouco tempo sairão (provavelmente para causarem danos em outros lugares). Já os que gostam do trabalho, mas permitem que o clima negativo seja alimentado, serão os verdadeiros perdedores. E são justamente estes os que poderiam acabar com o problema e que normalmente têm dificuldades de agir…

Pessoas comuns tem medo de se expor. Dizem: “não quero dedar ninguém” e ficam esperando que o gestor da empresa descubra por si próprio os obstáculos existentes. Não querem ser responsáveis por uma possível ao outro, mas não percebem que ao se calarem estão sendo cúmplices de um mau que causa um prejuízo coletivo.

As vezes até criticam (numa outra estação da rádio peão) os gestores por eles não verem o que está acontecendo ou mesmo por não tomarem nenhuma atitude, mas não notam que o maior pecado é cometido por eles mesmos, quando se calam.

Em culturas mais evoluídas, com maior senso de empreendedorismo, em vez de tanta gente esperar o patrão “dar” alguma coisa, existe uma cobrança maior de todos pela ética empresarial, que parte do presidente ou dono e chega até o colaborador mais recente. Em culturas mais “vividas”, percebe-se que ninguém pode viver satisfeito em uma terra mal arada.

Por isso, entende-se que quem poupa o mau colega, prejudica diretamente o bom. Prejudica a empresa, a equipe, os clientes o patrão e, principalmente a si mesmo, tornando o seu emprego cada vez mais precário… Afinal, segundo Vitor Hugo, aquele poeta e ativista francês do século IXX, “quem poupa o lobo, condena o cordeiro”.

No próximo capítulo da Rádio Peão, decida a quem você quer condenar.

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