Vamos à guerra?

A revista Exame publicou uma matéria que apresenta as principais diferenças do Exército do Brasil contra da Venezuela caso aconteça uma guerra. A primeira questão é a experiência. O Brasil tem pouca vivência em situações de guerra já que faz quase 150 anos que não entramos em uma. Esta última foi a Guerra do Paraguai.

O Brasil tem um contingente maior de soldados que a Venezuela, mas em uma análise simplista, nosso contingente está espalhado em um país com dimensões continentais. São 350 mil combatentes entre Exército, Marina, Força Aérea e Naval. Já Maduro conta com 207 mil homens que estão na ativa e com experiência para entrar em confronto a qualquer momento, já que a “ditadura chavista” está sempre preparada para ações militares.

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O orçamento é outro calcanhar de aquiles do Brasil. Em 2016, que foi o último levantamento liberado, o Exército investiu 82 bilhões de dólares contra 52 bilhões do governo venezuelano. Mas o problema é que 80% deste investimento foi só para pagar salários. Já o investimento da Venezuela é melhor em capacitação e armamentos. Menos um ponto pra gente.

Roraima, que faz a fronteira com a Venezuela, é outro ponto. Ele é o único Estado que não está interligado com nossa rede de energia. Nós dependemos ali da energia venezuelana o que pode haver uma retaliação em um primeiro momento de guerra. O governo já disse que tem preparado um plano B para tal, que é usar as termoelétricas, mas precisamos ver isso na prática.

O professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Juliano Cortinhas, tem experiência em política externa e defesa brasileira e explica que não é o volume de contingente que faria a gente ganhar uma guerra e completa que “Na guerra é sempre mais fácil defender do que atacar”.

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Ainda para Juliano, se o Brasil resolver invadir a Venezuela as consequências são desconhecidas e o custo da decisão seria alto em termos econômicos e humanos. Nas redes sociais alguns apoiam a decisão de uma invasão mas outros alertam que a derrota brasileira seria vergonhosa.

Desde o governo de Hugo Chaves a Rússia tem fornecido armamentos para os venezuelanos. Em dezembro do ano passado dois caças bombardeiros russos, com capacidade de levar armas atômicas, aterrissaram em Caracas.

Enquanto eles têm a Russia a seu favor, os EUA estão “namorando” o Brasil e Colômbia no caso da guerra ser inevitável. Esta semana o vice-presidente americano Mike Pense anunciou o envio de US$ 55 bilhões na reunião do Grupo de Lima, em Bogotá, para auxiliar nos trabalhos das fronteiras. Ele também apelou para que os militares venezuelanos abandonem Maduro, a quem considera um usurpador do poder no país.

Esse auxílio traz dúvidas em relação aos interesses estadunidenses. Alguns dizem que o controle do petróleo venezuelano é o principal motivo para essa ajuda. Já outra parcela se preocupa com autorizar a entrada de soldados americanos em solo brasileiro, onde perderíamos a capacidade de liderança regional.

Carolina Pedroso, que é pesquisadora de relações internacionais na Universidade Estadual de São Paulo diz que o país não tem condições de se preparar para a guerra. Ela ainda complementa que “o Brasil, provavelmente, não atacará. Mas pode se defender em caso de ação da Venezuela, como cortar energia elétrica de Roraima ou se ataques como os dessa última sexta se repetirem com a população daqui”.

A melhor das hipóteses seria adotar uma negociação diplomática e política, mesmo em caso de reações. Mas o Brasil não sairia como um covarde? Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

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