Em uma decisão histórica nos Estados Unidos, a multinacional americana “Johnson & Johnson” foi condenada na ultima segunda-feira (26) a pagar US$ 572 milhões (R$ 2,37 bilhões) por danos ao estado de Oklahoma por seu papel na crise de opioides.
Tais substâncias têm efeito analgésico, portanto aliviam a dor, mas também são usadas em drogas ilegais como heroína, causando dependência.
Apesar da Johnson dizer que vai recorrer, a decisão pode afetar os rumos de outros quase dois mil processos apresentados contra fabricantes de opioides em várias jurisdições do país.
A empresa é a primeira companhia farmacêutica a ir a julgamento pela crise de vício em opioides que atinge o país norte-americano e que provocou mais de 70 mil mortes por overdose só em 2017.
Para o vice-presidente executivo da empresa, Michael Ullmann, a sentença é uma “aplicação errônea” da lei de “dano público”, que já foi rejeitada por juízes em outros estados. Esse processo foi comparado a ações contra companhias de tabaco que resultaram em um acordo de mais de US$ 200 bilhões em 1998.
A companhia produzia e vendia os comprimidos Nucynta (Tapentadol) e o adesivo Duragesic, que contém fentanil, um dos opioides sintéticos mais potentes, inventado pelo laboratório. O adesivo era prescrito a pacientes com câncer para tratar dores agudas.
Outros dois grandes fabricantes de medicamentos foram acusados no mesmo processo de Oklahoma: o laboratório americano “Purdue Pharma” e o israelense “Teva Pharmaceuticals”, os quais chegaram a um acordo com o estado antes de que o caso fosse a julgamento.





