Preso há um ano, depois da tentativa de assassinato do então candidato Jair Bolsonaro (PSL), Adélio Bispo de Oliveira, de 41 anos, mantém fixa sua obsessão em matar o presidente e também o ex-presidente Michel Temer (MDB).
O desejo é confirmado por ele no presídio federal de Campo Grande (MS), como mostram laudos psiquiátricos e documentos no processo judicial aberto após a facada em Bolsonaro. O crime, cometido durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG), completa um ano nesta sexta-feira (6).
Adélio se recusa a receber tratamento psiquiátrico para tratar seu transtorno delirante persistente, doença mental com qual foi diagnosticado, e ameaça matar Bolsonaro e Temer para cumprir uma missão que, segundo ele, recebeu de Deus.
O autor do crime foi considerado perigoso pelo juiz Bruno Savino, da 3ª Vara da Justiça Federal em Juiz de Fora, ao decidir pela internação de Adélio por tempo indeterminado. Por precaução, o magistrado alertou as equipes de segurança de Bolsonaro e Temer sobre as intenções do detento.
Além disso, durante avaliações psiquiátricas, Adélio mostrou que pode arquitetar novos ataques. O criminoso foi considerado imputável pela justiça por conta de sua doença mental.
Sobre Bolsonaro, afirmou que se sente na obrigação de concluir a missão para a qual foi “escolhido por Deus”, que teria a finalidade de “salvar o Brasil”. Repete que “coisas ruins podem acontecer” se não executar a ordem divina.
“Quando sair, eu vou matar o Temer. Sei até onde ele mora, no Alto de Pinheiros”, disse ele a um dos avaliadores, citando o bairro de São Paulo onde o ex-presidente vive.
Falou também que uma voz que o acompanha já lhe disse para comprar uma arma e acabar com a vida de Temer.
Em suas alucinações, ele acredita que os dois são parte de um plano para entregar riquezas do Brasil ao FMI (Fundo Monetário Internacional), à máfia italiana e aos maçons.
Ao vasculhar os quatro celulares apreendidos com Adélio (dois deles tão velhos que não tinham mais condição de uso) e imagens de circuitos de TV, a PF concluiu que ele mapeou os locais por onde o candidato passaria na visita à cidade da zona da mata mineira.
Ele fotografou previamente, por exemplo, as imediações do hotel em que Bolsonaro teria um encontro com empresários. No dia do evento, poucas horas antes da facada, Adélio chegou a ir à portaria do salão onde o político deu a palestra, o que mostra que ele já rondava seu alvo.





