Até os anos 1980, o Rio Jundiaí era fétido e depósito de esgotos. A única cidade que dele se servia era Campo Limpo, que jogava seu esgoto longe de onde captava sua água, rio abaixo. O rio combinava esgotos de todos os tipos – o orgânico, vindo das casas, o da Duratex, na região da Vila Arens, e o químico, da Fleishmann & Royal, na Vila Rio Branco. O odor era insuportável em dias quentes. Nessa década foi criado o Cerju – Comitê Especial de Recuperação do Rio Jundiaí, e as coisas começaram a mudar.
O Dia do Rio Jundiaí foi comemorado na segunda-feira (23). A data serviu para lembrar o exemplo que a cidade deu ao Brasil – o Rio Jundiaí é o primeiro curso d´agua despoluído da América do Sul. Para chegar a isso, foi necessário em longo trabalho. Nos anos 1990, por exemplo, foram instalados interceptores em suas margens e de seus afluentes (como o Guapeva).
Em 1998, começou a funcionar a Estação de Tratamento no Novo Horizonte, operada pela Companhia Saneamento Jundiaí. Assim, todo o esgoto recolhido na cidade chegava aos interceptores e passou a ser levado para a ETE. Dois fatores contribuíram para melhorar a qualidade da água – a saída de fábricas como a Duratex e Fleishmann, e a construção de uma estação de tratamento de esgoto pela Sabesp, em Várzea Paulista.
Em outubro de 2014, o rio foi reclassificado pelos comitês PCJ devido a melhoria de qualidade da água – passou da classe 4 para a classe 3. Com a alteração de classe, passou a ser viável o uso da água para abastecimento público após tratamento.
Em março de 2017, um levantamento da SOS Mata Atlântica apontou que, após quase 20 anos, a água do Rio Jundiaí foi considerada 100% boa no trecho de Salto, perto do Rio Tietê. Das 134 amostras de água colhidas no estado, só quatro tiveram esse resultado. A qualidade da água, segundo a SOS Mata Atlântica, possibilitou a volta do peixe jundiá ao rio, que não era visto em seu habitat desde 1980. Com a despoluição do rio, a partir de 2013 voltou para a água e é presença comum na região.
Para Agnes Janaina Tezotto Gutierrez, coordenadora de Laboratório na Companhia Saneamento de Jundiaí (CSJ), a data reforça a importância do rio para a região e enaltece os esforços na sua despoluição. “O trabalho realizado por Jundiaí tem sido efetivo. Aqui no laboratório da CSJ são feitas análises mensais para os parâmetros demanda bioquímica de oxigênio, oxigênio dissolvido, turbidez e nutrientes. As coletas são feitas antes e depois da CSJ, para que possamos entender também os efeitos da contribuição do esgoto tratado sobre o rio”.
Na prática, com os ensaios de oxigênio dissolvido é possível saber se existe oxigênio disponível para a vida aquática. “Isso nos possibilita entender mais sobre o rio, e é o que nos indica, por exemplo, a possibilidade de existência de peixes em determinado trecho”, continua Agnes. O laboratório da CSJ também é responsável por monitorar o esgoto que entra e que é tratado pela Estação de Tratamento de Esgoto de Jundiaí.
O Rio Jundiaí nase em Mairiporã, na Serra da Pedra Vermelha e percorre oito cidades até chegar ao Tietê, após 123 quilômetros. Além de Mairiporã, passa por Atibaia, Campo Limpo, Várzea, Jundiaí, Itupeva, Indaiatuba e Salto. A primeira menção ao rio foi em 1628, num mapa colonial, provavelmente inserida pelos bandeirantes.






Fantástico. Parabenizo todos envolvidos neste propósito tão positivo. E, se permitem, deixo uma pergunta no ar: Por que não executam um trabalho semelhante no Rio Tietê, inclusive envolvendo moradores ribeirinhos? Obrigada.
A felicidade é imensa quando aparece um resultado destes. Sabemos que os sacanas das empresas Duratex e Fleishmann devem esta poluindo em outro local. Mas, no Jundiai, não mais. Em Indaiatuba, o PSDB hvia planejado (plano de governo), que às margens do Jundiaí no município, seria transformada em parque horizontal. E, em sua entrada no município, a construção de um complexo de limpeza de reaproveitamento de lixo. Mas, a prefeitura anterior e atual, nada fizeram. Eles não tem nenhuma noção da importância da recuperação do rio Jundiai. Excelente noticiapara todos!