Safadeza sem limite

Deputados e senadores estão armando uma tramóia contra o povo. Novamente. Como em Brasília cada um defende seus interesses, e os interesses de seus parceiros, não têm dificuldade para aprovar quase tudo. Quando o assunto é de interesse de todos, melhor ainda. É o caso do Fundo Eleitoral, principal assunto na semana passada.

O Fundo Eleitoral por sí só já é uma vergonha. Um escárnio. É dinheiro público, formado com os impostos que todos pagam (voluntariamente ou na marra) nas mãos dessa quadrilha chamada Congresso. Traduzindo: tomam nosso dinheiro e o entregam aos partidos, para que os políticos façam campanha eleitoral. É pagarmos para sermos enganados. Campanha eleitoral, como se constatou, não passa de um festival de mentiras e promessas que jamais serão cumpridas.

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O fundo já existia, mas agora é maior. Mais dinheiro, menos fiscalização. Com essas regras absurdas, partidos poderão usar esse dinheiro para pagar multas eleitorais, advogados de candidatos que fazem besteiras, alugar carros, pagar passagens de ônibus ou avião, alugar casas para fazer seus comitês. E se errarem na prestação de contas – aqueles erros marotos – terão prazo enorme para corrigir o que explicaram – e bem mal explicado – à Justiça Eleitoral.

A grosso modo, seria como um aluno que fizesse prova e errasse as questões. À medida que o professor corrige a prova, o aluno vai corrigindo as questões. Assim, dois mais dois que antes eram cinco, depois da correção será quatro.

Nessa hora o corporativismo fala mais alto. Deputados e senadores que há alguns meses espinafravam o presidente Bolsonaro por haver segurado verbas públicas para a Ancine, hoje estão unidos, quase casados, com os pilantras mais evoluídos. A intenção é colocar a mão no Fundo Eleitoral. Não são milhões. São bilhões de reais que serão torrados e roubados à vontade.

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Com parte desse dinheiro – outra parte seguirá a lógica do desvio – os políticos aparecerão na TV, no rádio, nos jornais, como defensores da Saúde pública, da Segurança, da Educação. Não vão defender nada. Eleitos, cada um cuidará de encher seu próprio bolso.

O pior de tudo isso é que o eleitor continua votando nessa gente. Há deputados e senadores que estão se perpetuando em mandatos seguidos. Renan Calheiros, por exemplo, está há mais de 30 anos no Congresso; Tiririca está no seu terceiro mandato sem nunca ter feito absolutamente nada. Ou, corrigindo, fazendo só palhaçadas, sua especialidade. Outros, que não são palhaços, são criminosos. Verdadeiros vermes.

Ao contrário de outros países, nossos deputados e senadores estão cobertos de regalias, como motorista, carro oficial, seguranças, assessores em pencas, plano de saúde, passagens aéreas – tudo pago com o dinheiro extorquido pelos impostos. E eles não têm pudores. Fazer o eleitor trabalhar para sustentar essa corja de criminosos para eles é algo normal. Falamos em outros países? Não podemos considerar o Brasil um país.

Não passa de uma senzala atualizada. Os feitores não usam mais chicotes. Usam algo pior, canetas. Não torturam os rebeldes no pelourinho. Fazem com que sofram nas filas de hospitais, na falta de emprego, no pagamento de impostos. E ainda se proclamam defensores do povo. Não passam de canalhas. (na foto acima, sede da quadrilha)

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