O Ministério Público da Paraíba (MPPB) abriu uma ação civil pública contra a Taurus, ao denunciar que a empresa de fabricação de armas vendeu armamento defeituoso para as forças de segurança da Paraíba, num prejuízo calculado em R$ 3 milhões. A ação de 13 páginas é datada de 4 de novembro, mas só foi tornada pública pela instituição nesta segunda-feira (11).
Munido de depoimentos de policiais civis paraibanos, de teste do Exército Brasileiro e de relatório da Secretaria de Segurança e Defesa Social do Governo da Paraíba, o Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial do MPPB conclui que as pistolas vendidas pela Taurus “são uma ameaça à atividade policial, pois não merecem confiança, podendo, em uma ação policial, falhar, seja dando pane, seja efetuando disparo sem o acionamento do gatilho, e ocasionar um incidente fatal”.
Ao todo, seriam 1.408 armas adquiridas pela Polícia Civil e 321 adquiridas pela Polícia Militar que estariam com problema e, logo, deveriam ser substituídas ou ressarcidas em seus valores integrais. Um problema, aliás, que segundo a ação civil pública “vem causando pânico nos agentes policiais”.
O MPPB pede a condenação da Taurus e quer que a empresa seja obrigada ou a ressarcir o valor de R$ 3 milhões pagos por parte do Governo da Paraíba pelo armamento ou substituir todas as armas defeituosas sem custos adicionais.
Além disso, foi pedido, a título de danos morais coletivos, uma multa que também se aproxima da casa dos R$ 3 milhões. Se a empresa de armamento for condenada, portanto, ela poderá ter que desembolsar R$ 6 milhões.
Segundo o texto que justifica a abertura da ação civil pública, as investigações foram iniciadas depois de uma reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, exibida em 12 de novembro de 2017 e que tratava justamente de falhas em armamentos da Taurus que sabidamente eram utilizadas pelas forças de segurança da Paraíba.
No procedimento preparatório que antecipou a ação, constatou-se que vários modelos de armas da marca Taurus – pistolas 24/7, 40 S&W e modelos PT 840 e PT 840P – que eram utilizadas pelas polícias Civil e Militar da Paraíba estavam entre aquelas com problemas. O MPPB destacou ainda que conseguiu comprovar que a Taurus, dolosamente, realizou uma série de modificações no projeto original das armas, mexendo tanto no gatilho como nas travas de segurança de suas pistolas, o que resultou na “inconfiabilidade desses armamentos”. Algo, inclusive, que foi alvo de processo investigativo por parte do Exército Brasileiro.





