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Nós somos pobres

Reclamar de preços tornou-se uma espécie de instituição. Todos nós reclamamos. E muitas vezes com razão. Em outras, esquecemo-nos de nossa pobreza terceiromundista. Somos levados a acreditar por economistas de plantão e jornalistas que acreditam em tudo que ouvem que o custo de vida está pela hora da morte.

O exemplo mais recente é o preço da carne. Aumentou muito. Então vamos reclamar. Precisamos achar um culpado. Nem que seja o presidente Bolsonaro, que cometeu a desfaçatez de se aproximar da China, que andou comprando nossa carne e pagando em dólar. E aí vem o xis da questão. Não comparamos o preço da carne em dólar.

O que são cinco dólares nos Estados Unidos? Quase nada. Era o que custava o contra-filé até outro dia. Agora chegou a dez dólares. E o que são dez dólares nos Estados Unidos? Continuam sendo quase nada. E por que o iPhone custa tão caro por aqui? Porque temos excesso de impostos na importação? Não só isso. O mundo sabe que nós, brasileiros, somos louquinho para ter novidades. E que não economizamos na hora de ter um novo iPhone. Então, quem tem, aproveita.

Com as roupas acontece o mesmo. Basta ver o preço de algumas marcas, consideradas de grife. A confecção é a mesma, o tecido é o mesmo, mas tem uma etiqueta que parece alçar quem as usa à condição divina. Sucesso nas baladas é garantido pela etiqueta. Como se garante pela marca do tênis. Embora haja mais falsificação do que produto original.

Diz-se até que a forma de reconhecer uma bolsa Louis Vuitton original, diferenciando-a a da falsa, é ver onde está sua usuária – se estiver no ponto de ônibus é falsa, se estiver no aeroporto, verdadeira. Mas o problema continua sendo o dólar acima dos quatro reais.

E é incrível como grande parte da população é alheia às altas. Esse parcela diz não se importar com o dólar alto porque não viaja nem consome produtos importados. Um tremendo engano. O trigo do nosso pão vem da Argentina, e é pago em dólar. A gasolina acompanha a variação do mercado internacional, em dólar. Mas essa parcela vai dizer que não tem carro. Mas o combustível caro encarece o frete, e consequentemente o produto. Encarece o transporte coletivo. Melhor reclamar.

No fundo, as coisas custam caro – quanto custam, com ou sem dólar – porque há quem as compre. Houve uma época em que o pimentão chegou a custar R$ 15 o quilo. Como o pimentão não é parte importante do cardápio brasileiro, foi deixado de lado. E sem consumo, sem procura, havia o risco de se estragar. Resultado: os mercados baixaram seus preços. Melhor ganhar menos do que não ganhar nada.

Carros custam caro porque o mercado procura sempre um modelo novo. Sempre há otários trocando de carro porque o modelo novo tem uma lanterna diferente, um friso a mais ou a menos. E principalmente porque o vizinho já tem esse novo modelo. Quando não há procura, os preços caem naturalmente. Seria o caso de deixar a carne de lado. Mas quem consegue?

Comer ovo aqui é sinônimo de pobreza. E de reclamações. O dólar está em alta. Ingressos para shows internacionais, cotados em dólar, são comprados a rodo. Ninguém reclama. Corrida de Fórmula Um, ídem, e na última, Interlagos estava lotado. Talvez esteja faltando coragem. Ou vergonha. E falando em dólar, em corrida, em procura, alguém quer comprar um Marea?

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