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Vai começar? Não, já começou

O fim de ano sempre é previsível. A proximidade do Natal e do Ano Novo faz as pessoas esquecerem seus problemas, como dívidas, contas, trabalho. O planejamento é engavetado. Tudo é festa, tudo é alegria. Um clima incentivado pelo comércio e pela mídia. Neste ano não vai começar. Começou na semana passada. Teve a Black Week, cujo ápice seria na sexta-feira, a Black Friday. E continuou no sábado.

Quem andou pelo Centro ou pelos shoppings nesses dias teve a impressão de estar vivendo em outro mundo. O povo foi à loucura. Em alguns lugares, produtos foram disputados a tapas. Noutros, não faltaram bate-boca para saber quem viu a oferta primeiro. E em muitos casos, a oferta seguiu a norma: tudo pela metade do dobro do preço.

Infelizmente é essa a nossa cultura. A cultura de passar o Natal com roupa e calçados novos. De passar o Ano Novo com roupa branca, amarela ou vermelha. De consumir carnes calóricas demais, mesmo estando em pleno verão. De beber espumantes como fossem champagnes. De exagerar em tudo. Até nos gritos em restaurantes, bares e dentro de casas.

Infelizmente, queimaremos muitos fogos no Ano Novo. Curtiremos homéricas ressacas e dores de cabeça. E aí estaremos em janeiro, reclamando que é preciso pagar o IPTU, de comprar material escolar, e que logo haverá o IPVA. Além das contas habituais.

A ilusão do 13º salário permeou nesses dias. O dinheiro pareceu fácil. Pareceu sobrar. Muitos foram à forra para comprar panetones – altamente calóricos, e, repetindo, em pleno verão. Calorias que serão tranformadas em quilos a mais e quem sabe em artérias entupidas.

As promessas para o Ano Novo são as de costume. Parar de fumar, parar de beber, entrar no regime. Outra ilusão. São promessas que serão postergadas para o pós-Carnaval. E de lá, para o pós-Semana Santa. Mas até lá tudo estará esquecido. Alegar-se-á que já estaremos quase na metade do ano, e que o inverno está chegando. Mais alguns meses, e as mesmas cenas se repetirão.

Depois da orgia consumista e alimentar do final de ano, continuaremos reclamando dos impostos. Com razão. Mas nada fazemos para que eles desapareçam. Continuaremos achando os culpados por nossa infelicidade. Mas no próximo ano teremos outra orgia – a orgia eleitoral.

Ouviremos promessas e mais promessas de que todos os problemas serão resolvidos. Que não teremos mais filas em hospitais. Que sobrarão vagas nas creches públicas. Que todos os bandidos estarão presos, deixando-nos livres de assaltos, sequestros, tráfico de drogas e estelionatos.

Veremos cenas bizarras. De rodas de amigos criticando asperamente determinado candidato, e com a chegada do candidato, todos esses amigos correrão para fazer uma selfie com ele. Seremos inundados por notícias falsas – e outras nem tanto – sobre a honra dos que dizem querer melhorar nossa vida. Discutiremos tudo, como se fôssemos especialistas em legislação e administração pública.

Para completar o sombrio cenário de 2020, vamos passar um mês vendo esportes olímpicos. Ouvindo comentários idiotas, previsões imbecis. Comemoraremos cada medalha como se fôssemos os responsáveis por sua conquista. Discutiremos salto com vara, natação, canoagem e principalmente futebol.

E enquanto ficamos assim, o resto do mundo trabalha, se planeja, poupa, pensa no futuro, estuda e progride. E aos poucos, vamos nos enterrando na Idade da Pedra.

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