Omissão, o pior dos pecados

A situação atual do mundo é algo desnecessário a ser comentado. Todos já a conhecem. É um problema de saúde, mas que afeta o funcionamento da economia como nunca aconteceu na história. E com esse quadro catastrófico, nota-se a omissão de todas as igrejas. Todas, sem distinção. Nenhuma delas se dispôs a colaborar financeiramente para resolver parte do problema, pelo menos. E todas têm muito dinheiro.

Quando aconteceu o terremoto no Haiti, que praticamente destruiu o país, ouvimos de um papa que ele iria rezar pelas vítimas. Apelos espirituais são bons, mas não resolvem problemas. Algumas igrejas fazem campanhas quando há alguma catástrofe – incêndios, enchentes, terremotos. Mas não abrem seus cofres. Pedem a colaboração de seus fiéis. É a caridade feita com o chapéu alheio.

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Na situação atual, as igrejas fecharam seus templos ou sedes. Nem todas. As que fecharam estão fazendo no máximo uma renúncia fiscal, deixando de recolher o dízimo. Nenhuma delas anunciou que destinou dinheiro para pesquisa, para ajuda, para compra de equipamentos ou medicamentos. Alguns de seus líderes anunciaram que estão orando para que o mundo volte à normalidade.

Igrejas, como se sabe, têm uma série de privilégios. Pelo menos por aqui. Não pagam Imposto de Renda – só declaram. Não pagam IPTU na maioria das cidades. Conseguem descontos até na compra de veículos. Basta ter um CNPJ de entidade religiosa. Mas não se dispõem a repartir um pouco da fortuna na hora da necessidade. E se proclamam humanitárias, cristãs, como se a fé resolvesse tudo.

Só para lembrar: há alguns anos, São Luiz do Paraitinga sofreu com as chuvas e ficou parcialmente destruída. Em Jundiaí, houve uma igreja que promoveu campanha para arrecadar alimentos, colchões, roupas, calçados e água. E tudo foi doado por seus fiéis. Mas então apareceu outro problema – como levar as doações até São Luiz? O problema foi resolvido quando uma transportadora cedeu caminhões.

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Tudo pronto, tudo em cima do caminhão, foram colocadas faixas na carroceria exaltando o ato de caridade. E a imprensa foi chamada. Chamada ou intimada – enquanto o fotógrafo não chegou os caminhões não saíram do lugar. E então, isso é caridade?

Não se discute a fé das pessoas. Nem a crença que as mesmas têm em figuras santificadas ou glorificadas. O que se discute é a atitude de seus líderes, que num momento como o atual são mais hipócritas que a própria hipocrisia.

Omissões em situações de crise parecem fazer parte do histórico de muitas igrejas. Assim é nas guerras e revoluções. Ninguém age de fato para colocar fim nas encrencas do Oriente Médio. Quando muito um apelo midiático, como se apelo resolvesse problemas. É a mesma coisa da mãe apelar para o filho travesso parar de fazer travessuras.

Há exceções, como em tudo. Há as igrejas – ou religiões, ou seitas – que agem silenciosamente, sem alarde, sem faixa no caminhão, sem publicidade. Mas são poucas. Talvez as poucas que sigam o ensinamento bíblico – que ao fazer caridade, sua mão esquerda não saiba o que a direita está fazendo. A maioria gosta mesmo é de se omitir. E dizer que está rezando. Já que é assim, amém.

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