Diálogos do coronavírus

O diálogo a seguir é fictício, estressado, verborrágico, tudo, menos verdadeiro. Qualquer semelhança com a realidade – ou com pessoas vivas ou mortas – é mera coincidência.

Presidente: Aqui não é a Itália, não está frio, o vírus no Brasil sofreu mutações e repito, aqui não teremos o caos da Lombardia. No Brasil temos mais jovens; os mais fortes querem e precisam trabalhar. Pra não parar a economia, governadores não podem fechar estradas, proibir o ir e vir, isso é comunismo, tá ok?

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Doriana: Nada disso, eu decreto calamidade pública, fecho comércios e quero milhões de reais do governo federal, além de não pagar a gigantesca dívida estadual. Não sou comunista, sou um neoliberal.

Amedo: Temos que achar o consenso.  Marina: Democraticamente.

Presidente: Governador, você é um traíra. O Ministério da Saúde está trabalhando pra conter o coronavírus, mas as medidas têm de ser adequadas. Pra não pegar esta “gripezinha”, o cidadão não pode morrer de fome. Agronegócio, fábricas, comércios, transportes não podem parar.

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Doriana: o governo federal deve dar dinheiro e alimentos para a população. Paulistas, Fiquem em casa! Fechamos os restaurantes, o comércio, mas o Bom Prato vende quentinha por um real. Meus amigos empresários continuam produzindo.

Amedo: Temos que achar o consenso.  Marina: Democraticamente.

Presidente: Quem vai plantar, colher, transportar e vender para o povo? A comida, você vai comprar onde? Você precisa de remédios, de mecânico, de um chaveiro e daí? Tem de abastecer o mercado, lojas, farmácias e permitir os trabalhos, manter todos os empregos, tá ok?

Doriana: cada um que estoque seus alimentos na dispensa; remédios compra-se pelo delivery, todos podem descer para o play em pequenos grupos. Chaveiro, faça-me o favor, né? o cidadão que chame o seguro, guincha o carro, ou deixe a porta da casa aberta, ora…

Amedo: Temos que achar o consenso com os empresários. Milão não parou.

Marina: Quantos pets morrerão, presidente? Vão sofrer como  nossas baleias, terão o mesmo fim do mico-leão-dourado, da ararinha azul? Ah, democraticamente!

Chegam o Boulos, Lula, Maia, Alcolumbre, Cunha e o jundiaiense Witzel querendo discutir também. Tumultuam o ambiente batendo panelas.

Presidente: Podem parar. Chega, peçam o meu impeachment e fiquem com a dupla Moro & Mourão, tá okey?

PS. Em fevereiro, a Semana de Moda de Milão proibiu a presença de chineses compradores de um terço do consumo do luxo, perdendo centena de milhões de euros – uma das principais fontes de renda italiana. O norte frio da Itália, divisa com a Suíça, a Lombardia tem das maiores populações de idosos do mundo e é a região com mais casos e mortes pelo coronavírus. Milão é o centro do mundo pret-a-porter e sede das grandes casas italianas Armani, Fendi, Prada, Versace e Gucci; tem as grifes mais “chiques, caras e famosas” do mundo fashion. Mas é a China que fabrica a moda chiquérrima “Made in Italy” e montou na região seis grandes indústrias para grandes estilistas; levaram para lá 200 mil chineses. Nada contra os chineses, alienados à ditadura de Xi Jinping, a não ser o fato de estas roupas caríssimas nas butiques serem produzidas com mão-de-obra a preço de banana.

GALDINO MESQUITA

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