Rodar por São Paulo e se deparar com dirigíveis carregados de trambolhos barulhentos e enferrujados é cena mais comum do que se imagina. No trânsito, desconhecem ou ignoram toda e qualquer lei de trânsito, incluindo o sinal de seta.
Chamam a atenção por onde passam e impressionam pela quantidade de carga que sustentam, além do risco de exposição ao tétano entre outras patologias. Mas é a representação das diferenças sociais ainda mais acentuadas com a pandemia do novo Coronavírus.
Mesmo que isento de qualquer fiscalização e controle, em uma cidade como São Paulo, estes zumbis do asfalto ainda são essenciais na coleta do material reciclável, incluindo do papelão a TV queimada esquecida no canto da sala.
Ou seja, são eles que com seus transformers adaptados fazem o rolê pelos paulistanos ou por quem deveria estar fazendo, o poder público, no caso.
Os malvadões do asfalto usam carros antigos e cortados. São modelos de 30 anos ou mais, sem a parte traseira e carroceria. Ao ser adaptado, o carro se transforma em uma espécie de gaiola, facilitando o transporte do material reciclável.
Ainda que informal, os cata-trecos também enfrentam a concorrência, que são os carroceiros, empresas privadas de coleta e catadores com veículos mais modernos. Estão cientes que atuam na legalidade do código de trânsito.
Os “cortados” trabalham por conta própria, ou seja, fazem parte de associações ou cooperativas. Como conduzem veículos com cor ou características adulteradas cometem infração grave (5 pontos na CNH), sendo impossível rodar na legalidade.
Não há estimativa oficial ou precisa sobre quantos “cortados” rodam em São Paulo. Esses veículos zumbis são fantasmas. Segundo o Detran de São Paulo, de janeiro a junho deste ano, foram flagrados 2.702 motoristas trafegando com veículos adulterados. Ainda assim, não é possível quantificar quantos desses são catadores. (Fonte: UOL)





