Literalmente, elas vão à guerra. Estão aprendendo atirar. Em Atibaia, 20% do Clube de Tiro são de mulheres
Em Atibaia existe um clube de tiro (o maior do estado) há 26 anos. É um lugar conhecido – o Clube de Tiro de Atibaia recebe campeonatos paulistas, algumas etapas dos brasileiros e muitos regionais. Tem 28 stands de tiro, que recebem tiros de todos os calibres. Possui hoje 650 sócios, e uma curiosidade – 20% são mulheres.
“Temos normas de segurança rígidas – explica André Akio Ando, presidente do clube. Se alguém transgride as normas, dependendo do caso dá até eliminação. Não podemos nem pensar em acidentes”. Põe rigidez nisso. Manuseio da arma e da munição tem lugar próprio – fora dele é pecado mortal. Tiros, só com protetores de ouvido e óculos.
O clube oferece cursos para quem quer aprender atirar. Custa hoje R$ 800. Akio é instrutor credenciado pelo Exército. “O curso básico é dividido em parte teórica – explica ele – e prática. O aluno vai conhecer a arma, seu manuseio, a munição, a legislação e depois praticar num dos stands”.
Os cursos são abertos a qualquer interessado, desde que tenha mais de 18 anos. Se tiver menos, só com autorização judicial. Como quem aprende atirar normalmente tem intenção de comprar uma arma, começa aqui a parte mais custosa.
Primeiro, um exame psicológico (não se dá arma na mão de gente desquilibrada). Depois há um exame de capacitação técnica – como em auto escola, o aluno dará seus tiros com a arma igual à pretendida. Depois precisará de oito atestados de antecedentes, de lugares diferentes. Depois disso pode procurar a arma, pois terá uma autorização para transporte (ida e vinda ao lugar de treinamento), além de sua posse em casa ou comércio.
O Clube de Tiro de Atibaia é bem conceituado. Lá treinam, constantemente, guardas municipais de Louveira, Atibaia, Bragança Paulista, Vinhedo e Valinhos. Treinam também em seus stands a Polícia Militar, e melhor, todo o treinamento da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) é feito no clube.
Os cursos são para quase todos os tipos de arma. “Há treinamento para armas longas, como espingardas e carabinas – explica Akio – e para armas curtas, que são os revólveres e pistolas”. E qual a diferença de espingarda para carabina? “A espingarda tem o interior do cano liso, a carabina tem o cano raiado”, explica Akio.
Calibres também são todos os permitidos. Começam no simplório 22 (220 no caso de carabinas ou rifles) e chegam ao 12, usado nas cartucheiros que fazem barulho no disparo e um estrago maior ainda quando chega ao alvo. E a preferência feminina é pelas pistolas semi-automáticas. De preferência uma 380.





